terça-feira, 17 de setembro de 2013

LN CONCURSOS - POPULAÇÃO E URBANIZAÇÃO




População

Segundo dados obtidos pelos historiadores, a população mundial no início da era cristã era estimada em cerca de 250 milhões de habitantes. Este número só dobrou por volta de 1650, Em 1850 atingíamos o primeiro bilhão de habitantes, cem anos depois a população já era de aproximadamente 2,5 bilhões de habitantes. Em 1995 a população da terra já alcançava a marca de 5,6 bilhões de habitantes e hoje estamos em torno dos 6,5 bilhões de habitantes. Como você pode observar o ritmo de crescimento da população é cada vez mais intenso, fazendo com que a população mundial, hoje em dia, dobre, em um espaço de tempo muito menor do que no passado. Este sem dúvida é um dos maiores desafios do homem no final deste século. Como gerar recursos para sustentar com dignidade uma população tão grande.
Os diferentes aspectos demográficos, tais como população absoluta, densidade demográfica, crescimento populacional, distribuição geográfica da população, estrutura etária, estrutura profissional e migrações, entre outros, costumam ser alvos de estudo e preocupação dos diversos especialistas (geógrafos, demógrafos, economistas etc.) e também dos detentores dos poderes político, econômico e militar.

Crescimento Demográfico
O rápido e intenso crescimento da população mundial tem despertado a comunidade internacional para as relações entre população, desenvolvimento econômico e recursos naturais. Para que essas relações sejam compreendidas é preciso considerar o seu fator fundamental: o crescimento demográfico.
Esse crescimento pode ser explicado por dois processos:
·    Crescimento vegetativo ou natural: movimentos verticais.
·    Migrações: movimentos migratórios.

O crescimento da população mundial está ligado a vários fatores – taxa de mortalidade, taxa de natalidade, taxa de fecundidade, expectativa de vida – que, por sua vez, dependem de condições de saúde, educação e acesso a recursos naturais e econômicos das sociedades.
O total de habitante de um lugar tem como principal fator de aumento o crescimento natural ou crescimento vegetativo, também chamado de movimento vertical da população. O crescimento vegetativo consiste na diferença entre o número de nascimentos e o de mortes em determinado período (geralmente, um ano).
A relação entre o número de nascimentos ocorridos no período de um ano e o total de habitantes de uma cidade, um estado, país ou continente define a taxa de natalidade. Para chegar a essa taxa, multiplica-se por 1000 o número de nascimentos ocorridos durante um ano e divide-se o resultado pelo número que representa a população absoluta.

A relação entre o número de óbitos ocorridos em um ano e o número de habitantes do lugar define a taxa de mortalidade. Para chegar a essa taxa, multiplica-se por 1000 o número de óbitos ocorridos durante um ano e divide-se o resultado pelo número que representa o total da população.

Calculando o crescimento vegetativo, isto é, a diferença entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade.
CV = natalidade – mortalidade

Relacionadas às taxas de mortalidade e de natalidade temos o as outras importantes variáveis que também influem no crescimento populacional: a taxa de mortalidade infantil, que diz respeito ao número ele crianças mortas antes de completar o primeiro ano de vida, e a expectativa de vida que se traduz pelo número de anos que um recém-nascido poderá viver, considerando-se o conjunto de recursos da sociedade da qual ele faz parte. O crescimento vegetativo pode ser positivo (quando o número de nascimento supera o de mortes), como é o caso do Brasil, negativo (quando as mortes superam os nascimentos), caso da Itália, ou até mesmo nulo (quando o número de mortes é igual ao de nascimentos), como acontece na Alemanha.
Crescimento da população mundial
Ao analisar o crescimento da população mundial, vamos levar em consideração dois aspectos:
·    O aumento puro e simples do número total de habitantes, isto é, a população absoluta que é o número total de habitantes de um lugar (país, cidade, região etc.). Quando um determinado lugar possui um grande número de habitantes, dizemos que é populoso ou de grande população absoluta; quando possui um pequeno número de habitantes, dizemos que é pouco populoso ou de pequena população absoluta.
·    O aumento das taxas de crescimento demográfico que determinam a maior ou menor velocidade do crescimento populacional. Quando as taxas de crescimento populacional são altas, o total de habitantes aumenta mais depressa do que quando essas taxas são baixas. Também é preciso considerar a população absoluta, ou seja, a população total da região analisada, pois se esta é expressiva, mesmo com taxas de crescimento baixas, a população aumentará bastante. É o caso da China, que, mesmo conseguindo uma redução em suas taxas de crescimento demográfico, tem um progressivo aumento populacional por causa de sua alta população absoluta.

 Países Desenvolvidos e Subdesenvolvidos: Crescimento Demográfico
Nos países desenvolvidos as taxas de natalidade diminuíram a partir do século XIX (1801-1900) e elas primeiras décadas do século XX: Com a grande melhoria das condições de saneamento básico e a descoberta de vacinas e antibióticos, as taxas de mortalidade nesses países ficaram muito mais baixas. Mais tarde, os métodos anticoncepcionais, a urbanização e a participação cada vez maior da mulher no mercado de trabalho contribuíram para reduzir as taxas de natalidade. A brusca queda do crescimento demográfico nos países desenvolvidos trouxe um problema que eles tentam resolver: o elevado número de idosos, o que representa um encargo para a previdência social.
Nos países subdesenvolvidos as taxas de crescimento demográfico começaram a baixar após a segunda metade do século XX. Nesses países, a redução das taxas de mortalidade deveu-se às melhorias médico-sanitárias obtidas nos países desenvolvidos e ao uso de inseticidas que combatem agentes transmissores de doenças. A redução das taxas de natalidade ocorreu a partir do processo de urbanização vivenciado por inúmeras nações.
A urbanização provocou transformações sociais que ajudam a explicar a redução dos índices de natalidade como: o trabalho familiar, o custo da criação dos filhos, o trabalho da mulher e os métodos anticoncepcionais. Entretanto, essas mudanças ocorreram em apenas alguns países subdesenvolvidos industrializados (Argentina, Coreia do Sul, Brasil, Chile, Uruguai, México). Na maioria das nações africanas (por exemplo, Serra Leoa, Nigéria, Quênia) e em algumas asiáticas (Laos, Nepal, Bangladesh), as taxas de crescimento vegetativo continuaram altas.

Superpovoamento
O fato de uma área ser densamente povoada não significa que ela seja superpovoada, porque o conceito de superpovoamento não se limita ao simples resultado numérico da relação entre população absoluta e área (densidade). Além dessa relação, interessa também, e de forma fundamental, o nível e desenvolvimento socioeconômico e tecnológico da relação população área.
Uma área é considerada superpovoada quando ocorre um descompasso das condições socioeconômicas da população em relação à área ocupada. Assim, devemos observar que não há uma vinculação direta entre densidade e superpovoamento mesmo que apresente baixa densidade demográfica. O conceito de superpovoamento é, portanto, relativo, como podemos ver nos exemplos dados a seguir.
Países como Holanda (378 hab/km2), Bélgica (332 hab/km2) e Japão (339 hab/km2), apesar de serem densamente povoados (mais de 300 hab/km2), não são considerados superpovoados, visto que suas populações apresentam elevado nível de desenvolvimento socioeconômico e de bem-estar social, considerando a área ocupada. Por outro lado, países como Bangladesh (740 hab/km2), Índia (308 hab/km2) e até mesmo o Brasil, que possui baixa densidade (19,8 hab/km2), são considerados superpovoados em virtude do insuficiente nível de desenvolvimento econômico e tecnológico de suas populações.

Fases de Crescimento da População Mundial
Segundo a ONU, podemos considerar as seguintes faixas de crescimento populacional: lento de 0 a 1%, rápido de 1,1 a 2%, acelerado de 2,1 a 3% e explosão demográfica de + de 3%. A partir dessas faixas podemos observar várias fases no crescimento da população.
·    1ª fase: Crescimento lento. Período: IV a.C. até o início do século XVII (Revolução Comercial). A economia era rural, com altas taxas de natalidade, mas o número de óbitos também era alto, devido às guerras e às epidemias.
·    2ª fase: Crescimento rápido. Período: 1650 a 1850 (capitalismo comercial e início do industrial). As famílias necessitavam de filhos para aumentar a renda, e os avanços médicos diminuíram o número de mortes. Resultado: a população mundial dobrou em dois séculos.
·    3ª fase: Crescimento acelerado. Ocorreu entre a Segunda Revolução Industrial (por volta de 1860) e o fim da Segunda Guerra (1945). A natalidade era alta, e a mortalidade diminuiu com os avanços da medicina. O crescimento foi mais rápido: em um século a população mundial dobrou.
·    4ª fase: Explosão demográfica. De 1950 a 1980. Período do êxodo rural (saída da população do campo para as cidades). As famílias pobres urbanas tiveram muitos filhos, que ajudavam na renda familiar; e, graças à melhoria das condições médico-sanitárias, a mortalidade foi reduzida. Em trinta anos, a população mundial dobrou.
·    5ª fase: Diminuição do crescimento demográfico. Ocorreu a partir de 1980, quando alguns países emergentes (Brasil, Argentina, México e Coréia do Sul) diminuíram suas taxas de natalidade. Muitos países subdesenvolvidos não conseguiram reduzir a natalidade, portanto, não atingiram a 5ª fase.

Essa fase de estabilização do crescimento demográfico, chamada por alguns de transição demográfica, não ocorreu de modo semelhante em todos os países. As nações desenvolvidas se estabilizaram antes. Das nações subdesenvolvidas, apenas as que se industrializaram chegaram à estabilização ou perto dela. Países como Paquistão, Nigéria, Bangladesh, Quênia, entre outros, sem dúvida estão longe de atingi-la.

As Teorias Demográficas
As preocupações com o crescimento populacional e suas repercussões na vida social são na verdade muito antigas. A primeira teoria populacional de impacto e que até hoje suscita debates foi exposta no final do século XVIII (1798) pelo economista e pastor anglicano Thomas Robert Malthus no livro Ensaio sobre o Principio da População.
Desde os primórdios da humanidade até a primeira metade do século XIX tanto a natalidade como a mortalidade era elevada, resultando em uma baixa taxa de crescimento vegetativo. Este fenômeno nós conhecemos como equilíbrio primitivo. As precárias condições de higiene e saúde provocavam uma altíssima taxa de mortalidade, resultando numa expectativa de vida muito pequena. Com o avanço do período mercantilista a Europa passou a ter acesso a novas ervas novas drogas e novos métodos de cura e o acúmulo de todos esses conhecimentos resultou em avanços substanciais para a medicina e saúde pública, que teve como consequência uma redução imediata nas taxas de mortalidade nos países da Europa. Para efeito comparativo, a média mundial de filhos por mulher nesse mesmo período era de 3,1.

·    Teoria Malthusiana
Elaborada pelo economista inglês Thomas Malthus (1776-1834). Conforme seu estudo Ensaio sobre o princípio da população (1798), a população mundial cresceria em um ritmo rápido, comparado por ele a uma progressão geométrica (1, 2, 4, 8, 16, 32, 64, 128...), e a produção de alimentos cresceria em um ritmo lento, comparado a uma progressão aritmética (1, 2, 3, 4, 5, 6...). Sendo assim, em um determinado momento, não existiriam alimentos para todos os habitantes da Terra.
A partir dessa perspectiva, Malthus procurou demonstrar que o crescimento populacional poderia ser detido, por certos obstáculos tais como:
·    Guerras, epidemias, fome e outras catástrofes;
·    Emprego de métodos anticoncepcionais (na época eram conhecidos apenas os naturais, como abstinência sexual);
·    Sujeição moral, onde cada família só poderia ter tantos filhos quantos pudesse alimentar. A idade do casamento deveria ser retardada e a prática da castidade deveria ser estimulada.
·    Malthus defendia como solução para reduzir a natalidade, a sujeição moral. A teoria Malthusiana é, portanto, conservadora e antinatalista. Suas principais falhas ou pontos de crítica são:
-   Malthus não previu desenvolvimento científico e técnico da agricultura (revolução agrícola), que provocou um aumento substancial na produção de alimentos;
-   Malthus não considerou que a melhoria do nível socioeconômico das pessoas acarretaria uma redução espontânea da natalidade (planejamento familiar).

As maiores contestações a essa teoria são que, na realidade, ocorre grande concentração de alimentos nos países ricos e, consequentemente, má distribuição nos países pobres. Porém, em nenhum momento a população cresceu conforme a previsão de Malthus.

·    Teoria Neomalthusiana
Elaborada após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a teoria dizia que, se o crescimento demográfico não fosse contido, os recursos naturais da Terra se esgotariam em pouco tempo. Foi sugerida uma rigorosa política de controle da natalidade aos países subdesenvolvidos. A contestação a essa teoria é que se deve melhorar a distribuição da renda.

Ricos
Nos países ricos o avanço da ciência provocou o fim do equilíbrio primitivo desde o século XVIII e como consequência as taxas de mortalidade têm decrescido continuamente. Os índices de mortalidade dos países europeus até o final do século XVIII eram de aproximadamente 35 por mil, foram reduzidos para 20 por mil no final do século XIX e na década de 70 do século passado chegava a 6 por mil, hoje em dia esses índices aumentaram um pouco e situam-se entre 9 e 10 por mil. Esse pequeno crescimento das últimas décadas se deve ao envelhecimento da população.
A transferência do homem do campo para a cidade provocado pela revolução industrial na segunda metade do século XVIII deu origem a uma sociedade urbana, com novos valores comportamentais, e que preocupada com a sobrevivência e com os novos conceitos de consumo passou a controlar os nascimentos, tendo surgido aí o conceito de planejamento familiar, que provocou a queda substancial das taxas de natalidade desses países.
Nos dias atuais, nos países ricos as taxas de crescimento vegetativo ficam próximas de zero, sendo que em alguns deles esses valores já são negativos. A partir da década de 80, ocorreu em alguns países do mundo um novo fenômeno: a implosão demográfica. Esse fenômeno foi registrado principalmente em países europeus. Em quase toda a Europa tem ocorrido índices de crescimento vegetativo próximos de zero e até mesmo, negativos.

Pobres
Nos países pobres, o equilíbrio primitivo continuou até meados do século XX, quando as taxas de mortalidade situavam-se em torno de 40 a 30 por mil, semelhante ao que acontecia na Europa no início do século XVIII.
A partir da década de 40/50, porém, embora o nível de vida das pessoas continue muito baixo, a taxa de mortalidade sofreu uma redução brutal, chegando a valores de 15 a 10 por mil, ou até menos do que isso.
Esta redução se deu em consequência dos progressos científicos e técnicos alcançados pela “Revolução Médica-Sanitária”, que tornou possível o controle e cura de doenças epidêmicas com o surgimento das vacinas, da penicilina, dos antibióticos e de novos métodos de cura.
É muito importante compreendermos que essa redução nas taxas de mortalidade se deve a métodos científicos desenvolvidos nos países ricos e não foi acompanhada necessariamente de uma melhoria nas condições de padrão de vida dessas populações.
Esta redução das taxas de mortalidade não foi acompanhada a princípio por uma queda nas taxas de natalidade, o que provocou o fenômeno da explosão demográfica desses países. Nas últimas décadas observamos o início de uma queda nas taxas de natalidade, que tem sido provocada pelo desenvolvimento de novos métodos anticoncepcionais e maior acesso das populações pobres a esses métodos, como consequência do fenômeno de urbanização acelerada desses países.
Nos países subdesenvolvidos onde houve industrialização, como Brasil, Argentina, México e “Tigres Asiáticos”, ou em países cuja população tradicionalmente tem um bom nível cultural, como Chile e Uruguai, a queda do crescimento vegetativo foi surpreendente, em relação há algumas décadas passadas.
Atualmente a taxa de crescimento populacional média do mundo gira em torno de 1,7%, sendo que nos países mais pobres (África, Sul e Sudeste da Ásia e América Latina) esta taxa ultrapassa os 2%. É nessas áreas que a população mundial mais cresce, hoje em dia.

·    Teoria Reformista
Diverge das teorias Malthusiana e Neomalthusiana. Os reformistas atribuem aos países ricos ou desenvolvidos a responsabilidade pela intensa exploração imposta aos países pobres ou subdesenvolvidos, que resultou em um excessivo crescimento demográfico e pobreza generalizada. Defendem a adoção de reformas socioeconômicas para superar os graves problemas. A redução do crescimento demográfico seria consequência dessas reformas.

A população não é a causa da fome e sim a consequêntia dela.

Recenseamento ou Censo
Refere-se ao levantamento ou à coleta periódica de dados estatísticos dos habitantes de um determinado lugar (país ou cidade, por exemplo).
Os dados estatísticos dizem respeito aos diversos aspectos populacionais, tais como população absoluta, população rural e urbana, migrações internas e externas, crescimento populacional, nascimentos, casamentos, óbitos, faixas etárias, população ativa e inativa, sexo, cor, expectativa de vida, indicadores de saúde.
Como se vê, o recenseamento representa uma verdadeira análise geral, daí sua grande importância do planejamento socioeconômico de qualquer país, apesar das imprecisões, falhas e problemas que costumam apresentar.
Os piores recenseamentos são os realizados nos países pobres. Os problemas são inúmeros (imprecisão, escassez, omissão e adulteração de dados, por exemplo) e decorrem de fatores como falta de recursos e de pessoal qualificado, deficiência de transportes e comunicações, dificuldade de acesso a determinadas áreas ou domicílios ignorância, da população, interferência de autoridades políticas e outros. Nesses países predomina o chamado recenseamento direto (coleta dos dados em domicílio).
Nos países desenvolvidos, os recenseamentos são normalmente muito precisos, completos e confiáveis, e o método mais empregado é o indireto, baseado em cadastros municipais, estimativas etc.
Além dos problemas já mencionados, que prejudicam bastante o estudo ou a análise de certos países, existem outros que dificultam muito ou até mesmo impedem estudos comparativos entre os diversos países do mundo. Por exemplo:
·    Alguns países realizam recenseamentos de cinco em cinco anos (França e Japão); outros, de dez em dez anos (EUA e Brasil); e outros não os fazem com regularidade (China e Bolívia).
·    Alguns países consideram como economicamente ativos os indivíduos a partir de 10 ou mais anos de idade, e outros, a partir dos 15 anos.
·    Para alguns países, a faixa etária jovem vai de 0 a 14 anos, e, para outros, de 0 a 19 anos; e a dos alunos vai, respectivamente, de 15 a 59 e de 20 a 59 an os.

IDH – Índice de Desenvolvimento Humano
O objetivo da elaboração do Índice de Desenvolvimento Humano é oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. Criado por Mahbub ul Haq com a colaboração do economista indiano Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1998, o IDH pretende ser uma medida geral, sintética, do desenvolvimento humano. Não abrange todos os aspectos de desenvolvimento e não é uma representação da “felicidade” das pessoas, nem indica “o melhor lugar no mundo para se viver”.
Além de computar o PIB per capita, depois de corrigi-lo pelo poder de compra da moeda de cada país, o IDH também levam em conta dois outros componentes: a longevidade e a educação. Para aferir a longevidade, o indicador utiliza números de expectativa de vida ao nascer. Q item educação é avaliado pelo índice de analfabetismo e ela taxa de matrícula em todos os níveis de ensino. A renda é mensurada pelo PIB per capita, em dólar PPC (paridade do poder de compra, que elimina as diferenças de custo de vida entre os países. Essas três dimensões têm a mesma importância no índice, que varia de zero a um.


A análise de uma pirâmide etária nos revela a evolução demográfica da população quanto à natalidade, mortalidade, expectativa de vida etc. Assim, no caso da pirâmide, a base, por ser larga, demonstra elevada natalidade, enquanto o ápice, muito estreito, demonstra a baixa esperança de vida. A pirâmide mostra também o equilíbrio entre as populações feminina e masculina.
Quando uma pirâmide apresenta qualquer ruptura, ou seja, alteração profunda de uma faixa para outra, demonstra que a população foi traumatizada por epidemias, guerras etc.
Chamamos estrutura etária da população à distribuição da população por faixas de idade.
As pirâmides do mundo rico apresentam o perfil retangular, enquanto as dos países em transição demográfica (como o Brasil), são representadas por um perfil de pentágono, como indicam, respectivamente, as pirâmides anteriores.
âmides etárias dos países subdesenvolvidos apresentam normalmente uma base larga e um topo estreito, o que indica o predomínio de jovens e o reduzido número de idosos. Já nos países desenvolvidos observa-se geralmente uma base mais estreita, sinal de menor proporção de jovens, e um cume mais largo, devido ao grande número de idosos.

Pirâmides de Países Maduros
De acordo com as três faixas de idade da população podemos definir como países maduros aqueles que possuem mais de 50% da sua população formada por adultos. Correspondem aos países europeus, aos Estados Unidos, Japão e outros países desenvolvidos. Podemos notar uma ligeira diferença entre os países europeus e os demais pelo fato de na Europa o percentual de velhos ser muito maior que nos demais. Nesses países, tanto a taxa de natalidade como a taxa de mortalidade são bastante baixas, e a diferença entre elas é muito pequena. Isso resulta no lento crescimento demográfico. A expectativa de vida é bastante elevada. O número de jovens é pequeno, e o de velhos, bastante elevado. Apresentam a base da pirâmide estreita, reflexo da baixa natalidade.

Pirâmides de Países Jovens
São considerados países com população jovem, aqueles que possuem mais de 50% da sua população na faixa etária dos jovens. Hoje, esses países são cada vez mais raros e correspondem àqueles subdesenvolvidos mais pobres.
A Pirâmide Etária desses países bastante pobres, mostram a taxa de natalidade bem elevada, assim como a de mortalidade. A expectativa de vida é bastante baixa. A população jovem é numerosa e a população velha é bastante reduzida.
Pirâmides de Países em Transição
Essas pirâmides correspondem a países subdesenvolvidos com certo grau de desenvolvimento (são chamados países em desenvolvimento). Essas populações apresentam baixa taxa de mortalidade, em consequência da rápida redução ocorrida nas últimas quatro décadas. A taxa de natalidade mantém-se um pouco alta, quando comparada aos países maduros.

Importância da Estrutura Etária
A análise da estrutura etária de um país é de grande importância, na medida em que permite o fornecimento de dados para um planejamento econômico e social mais adequado, assim como o conhecimento das necessidades de cada faixa etária em termos de assistência médica, social, escolar, lazer etc. Os investimentos sociais e econômicos variam muito em função da estrutura etária do país.
Nos países subdesenvolvidos, o grande número de jovens representa um peso para os adultos que precisam sustentá-los. Necessitam de grandes investimentos nas áreas de educação, saúde, habitação e tudo o mais que o jovem usufrui, ao passo que, nos países de população velha, os recursos exigidos pela assistência aos velhos são elevados.

Envelhecimento
O Envelhecimento da população é uma realidade mundial, porém muito mais acentuado nos países desenvolvidos, onde a população de velhos já atinge níveis preocupantes.
Com o aumento no número dos velhos, aumenta cada vez mais o número de aposentados. Há algumas décadas a proporção de número de trabalhadores por aposentados era de 5 ou 6 trabalhadores para cada aposentado. Hoje existem países onde essa proporção é de 2 por 1, ou às vezes até de 1,5 por 1, como na Suécia. Isso coloca em risco a qualidade dessa aposentadoria e provoca um questionamento mundial sobre a possibilidade de um aumento na idade para aposentadoria para os países onde é grande o número de idosos.
Além da aposentadoria, os idosos demandam outros serviços relacionados com a qualidade de vida, como saúde, lazer, etc.

A População Economicamente Ativa (PEA)
A população economicamente ativa (PEA) é composta de pessoas que têm ocupação remunerada. A população economicamente inativa (PEI) corresponde aos que não exercem atividade remunerada, como: as crianças que não trabalham, os aposentados, os idosos e as mulheres que cuidam do lar. Nos países desenvolvidos existe concentração de trabalhadores no setor terciário, que abrange a informática, a mídia, os serviços e o comércio em geral. O setor primário, que reúne as atividades extrativistas e agropecuárias, perde cada vez mais funcionários para a mecanização do campo; e o setor secundário, que compreende as atividades industriais de modo geral, está ocupando menor número de trabalhadores, devido ao uso intensivo de máquinas e até mesmo robôs.
Nos países subdesenvolvidos industrializados existe um setor terciário “inchado”, caracterizado pela economia informal. Na maior parte desses países, o processo de urbanização não foi acompanhado pela geração de empregos no setor secundário e no setor terciário. Esse fato criou uma grande massa de trabalhadores subempregados (que não deixam de ser desempregados), como os camelôs, os vendedores ambulantes, etc. Apesar de formar o setor terciário, esses trabalhadores jamais poderão ser comparados com os do setor terciário dos países ricos, pois a renda ou salário, as oportunidades, as qualificações e os avanços tecnológicos dos países em que vivem são extremamente menores.
Os países subdesenvolvidos não industrializados ainda apresentam elevada população economicamente ativa no setor primário. Em um aspecto, pelo menos, parece que os países ricos e pobres estão juntos: no desemprego. No entanto, os fatores que levam ao desemprego são diferentes.
Nos países ricos ocorreu uma intensa automatização, progressos tecnológicos e transferência de indústrias para países subdesenvolvidos – processos que eliminaram os empregos no setor secundário, que muitas vezes foram absorvidos pelo setor terciário. Como isso nem sempre aconteceu, esses países enfrentam um fato novo: as elevadas taxas de desemprego, que neste caso é denominado desemprego estrutural. Uma grave situação dos países subdesenvolvidos é a do desemprego conjuntural, isto é, quando uma crise econômica implica a demissão de milhares de trabalhadores.

Os Setores da Atividade Econômica
A população ativa de um país é classificada, segundo suas atividades econômicas, em três setores: primáriosecundário e terciário.
·    O setor primário é formado pelas atividades ligadas diretamente a terra. A agricultura, a pecuária e as atividades extrativas (animal, vegetal e mineral) fazem parte deste setor da economia. É um setor diretamente produtivo e de fundamental importância no processo criador de riquezas.
Em virtude da mecanização do campo a participação do setor primário da economia como gerador de emprego tende a diminuir no mundo inteiro, até atingir uma média de aproximadamente 5% a 6% da população ativa. Em alguns países porém esse potencial é ainda menor, como nos Estados Unidos, onde apenas 2,7% da população ativa trabalham para o setor primário da economia.
·    O setor secundário engloba todas as atividades ligadas à transformação de um produto ou matéria-prima em outro, ou seja, os diferentes tipos de indústrias. Setor também diretamente produtivo.
Até a década de 70 o setor secundário era considerado o mais importante. Todo o país bastante industrializado possuía pelo menos 30% das sua população ativa nesse setor, em alguns deles, como no Reino Unido, esse percentual poderia chegar a 50% em 1970 e hoje é de apenas 27%. A automatização adquirida pelas indústrias a partir da década de 70 diminuiu bastante a participação desse setor como gerador de emprego para a economia.
·    O setor terciário é também chamado setor de circulação de riquezas, pois está ligado a todos os tipos de serviços prestados pela sociedade. É formado pelo comércio, administração, finanças, bancos, transportes, recreação etc.
Ao contrário do que vem acontecendo com os outros setores da economia, o setor terciário tem tido uma participação cada vez mais crescente no mundo inteiro, e em especial nos países mais ricos, aonde setores como telecomunicações, informática e turismo vêm se tornando grandes geradores de emprego. Nos países pobres, uma parcela significativa da população que participa do setor terciário, trabalha em atividades informais ou são subempregados.
Cada tipo de país tem uma distribuição setorial própria, ou seja, o percentual de mão-de-obra empregado em cada setor da economia varia de país para país.

·    Países Plenamente Industrializados – São os países desenvolvidos, do primeiro mundo. Apresentam os setores secundário e terciário bem desenvolvidos. Estes dois setores empregam a maior parte da força de trabalho da população ativa. A pequena proporção dos ativos do setor primário, nesses países, é explicada pelo maior avanço tecnológico, elevada mecanização da agricultura, maior qualificação profissional e educacional. Nestes países tem sido notada uma redução percentual do setor secundário da economia, em função do avanço tecnológico, em contrapartida de um aumento percentual do setor terciário.
·    Países Pré-industriais - São aqueles mais pobres, considerados ainda em fase anterior à industrialização. São normalmente aqueles onde predominam as atividades primárias, uma vez que, em geral, são países que, foram submetidos à dependência colonial, ficando, portanto, impossibilitados de desenvolverem oportunamente sua industrialização.
·    Países com Industrialização Anormal – São também países subdesenvolvidos, porém onde houve uma industrialização financiada pelo capital estrangeiro, que aconteceu com a expansão das multinacionais no século XX. Nestes países, houve uma redução do setor primário, mas não tão grande quanto nos países desenvolvidos, pois não houve mecanização rural suficiente. O êxodo rural provocou um inchamento do setor terciário da economia com o surgimento do subemprego nas grandes cidades, desde quando a indústria não tinha capacidade de absorver a grande quantidade de mão-de-obra que saía do campo para a cidade.

Áreas Mais Povoadas e Áreas Menos Povoadas
Já vimos que população absoluta é o número total de habitantes de um país ou de um lugar, sem considerar sua superfície ou área. Se dividirmos o número total de habitantes de uma nação ou lugar (população absoluta) por sua superfície ou área territorial (em quilômetros quadrados), obteremos a densidade demográfica ou população relativa.
Como você poderá observar nas tabelas a seguir, os países com maior população absoluta são considerados populosos, e os que têm as maiores densidades demográficas são chamados de povoados.

O hemisfério norte apresenta uma população muito mais numerosa, pois concentra a maior parte das áreas dos continentes americano, africano, asiático e a superfície da Europa. Dentro dos próprios continentes é possível detectar áreas muito populosas e povoadas (formigueiros humanos) e áreas praticamente despovoadas (áreas anecúmenas). Um exemplo concreto dessa distribuição desigual da população mundial está no fato de apenas dois países – China e Índia reunirem cerca de 35% do total mundial.
Determinados lugares do mundo concentram grande parte da população mundial, devido a fatores diferentes. Algumas áreas do planeta são pouco povoadas porque apresentam um meio natural pouco propício para as atividades humanas. Nesse caso estão os desertos, as regiões montanhosas e as regiões polares. Por outro lado, meios naturais com planícies férteis, áreas próximas ao litoral ou vale de rios significam elementos de atração populacional. Regiões de povoamento muito antigo, como o Extremo Oriente e a Europa, são mais povoadas do que as de povoamento recente, o que pode ser explicado por motivos históricos.
Também podemos dizer que muitas áreas foram ocupadas devido à expansão geográfica de grandes impérios (Romano, Otomano) ou a levas de pessoas perseguidas por motivos políticos e religiosos que procuram outro local para viver (por exemplo, a diáspora judia).
Fatores demográficos explicam mudanças das características populacionais de certos lugares em determinados momentos. Um exemplo desse caso é o crescimento da população do continente americano no século XIX, devido às migrações internacionais e às altas taxas de natalidade. A procura por melhores condições de vida ou o surgimento de novas atividades econômicas em determinadas áreas, em certas épocas, explicam aumento populacional causado principalmente pelos movimentos migratórios. A região Sudeste do Brasil funcionou como pólo da atração populacional durante o processo de industrialização do país consolidada na segunda metade do século XX.

População Rural e Urbana
A população mundial se distribui entre domicílios rurais (campo) e urbanos (cidades). A Revolução Industrial, na metade do século XVIII, foi o principal fator do grande aumento da população das cidades em relação ao campo. Mesmo assim, segundo a ONU, em 2000 a população urbana representava 47% da população global. A projeção da ONU é de que, em 2015, 53,4% da população mundial será urbana e de que, em 2030, o índice de população urbana no mundo deverá chegar a 60%. Os países desenvolvidos possuem quase 80% população urbana do mundo. Por outro lado, encontramos as maiores taxas de população rural em países subdesenvolvidos não industrializados.

Características da População Brasileira

A Década de 1990 e o Séc. XXI
A década de 1990 trouxe muitas mudanças para o perfil demográfico de nosso país. Muitas afirmações usadas frequentemente em estudos da população brasileira já não correspondem à realidade. Éramos um país jovem, estamos envelhecendo. O brasileiro vive mais e a taxa de fecundidade caiu. Desde 1970, não somos mais um Brasil rural. Melhoramos nossos indicadores sociais, mas, assim como a desigualdade da distribuição caracteriza nossa população, uma outra desigualdade torna nosso povo mais pobre – a concentração de renda nas mãos de uma pequena parcela da população agrava-se a cada década.
Apesar de o número de mulheres ser um pouco maior, a situação delas não é melhor que a dos homens. Podemos verificar, também, uma grande diferença entre a qualidade de vida da população branca e da população negra.


  

A Pirâmide Etária do Brasil e a População Ativa

As três últimas pirâmides etárias do Brasil mostram que a base está se tornando cada vez mais estreita e o ápice mais largo. O corpo está cada vez maior refletindo a diminuição das taxas de crescimento vegetativo. Isso resultou na mudança do perfil da pirâmide etária da população brasileira.
A idade mediana do brasileiro (idade que separa os 50% mais jovens dos 50% mais velhos) é de 24,2 anos, isto é, metade da nossa população está abaixo dessa faixa etária.
Segundo o IBGE, a população de 0 a 6 anos, no Brasil, diminuiu 3,4% na década de 1990. Nesse mesmo período o grupo de 65 anos ou mais aumentou cerca de 1 %.
A composição etária reflete-se na estrutura da População Economicamente Ativa (PEA), que é formada por pessoas que têm atividade remunerada. O número da População em Idade Ativa (PIA, entre 15 e 64 anos, no Brasil, passou de 60,45% em 1991 para 64,55% em 2000.
A Taxa de Atividade deve ser entendida como a porcentagem de população de 10 anos ou mais que participa efetivamente do mercado de trabalho, estando empregada ou não. O envelhecimento da população e a menor participação das crianças no mercado de trabalho foram responsáveis pela pequena diminuição da Taxa de Atividade no Brasil, na década de 1990.
A Razão de Dependência expressa o peso das crianças e dos idosos sobre a População em Idade Ativa. Em 2000, essa relação foi de 54,93 crianças e idosos para cada grupo de 100 pessoas, 52,01% nas áreas urbanas e 68,43% nas áreas rurais. Conforme a PNAD de 2001, o Brasil possuía uma população economicamente ativa (de 10 anos ou mais: que representava 54,8% do total de habitantes do país. O setor terciário (comércio e serviços) apresenta o maior número de empregados (59,5%), seguindo-se o secundário (indústria) com 19,9%, e o primário (agricultura) com 20,6%. Outra característica marca o mercado de trabalho no Brasil: o emprego informal – 40% dos trabalhadores não têm carteira assinada. Apenas 47,7% contribuem para a previdência.

Trabalho Infantil
O número de crianças (entre 15 e 17 anos) que trabalham no Brasil tem diminuído, mas muito lentamente. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), havia 6,6 milhões de crianças trabalhando no Brasil em 1999. A PNAD de 2001 apontou cerca de 5,5 milhões de trabalhadores infantis (12,7%).
A maior parte é composta de meninos e se concentra nas regiões Nordeste, Norte e Sul.
Outro problema é o dos trabalhos domésticos, realizados por meninas. Na avaliação da OIT, 20% das meninas entre 10 e 14 anos no Brasil estão envolvidas nesse tipo de trabalho. Nas áreas metropolitanas, principalmente, o número de crianças que trabalham como catadoras de lixo tem aumentado bastante. Encontramos no Brasil cerca de 5400 menores de 14 anos nessa atividade. A região Nordeste se destaca, com 2204 crianças nessa função, seguida pelo Sudeste, com 1406.

Envelhecimento da População Brasileira
Países subdesenvolvidos industrializados como o Brasil têm apresentado aumento de idosos em sua estrutura etária. O Censo de 2000 revelou que há 24576 brasileiros com mais de 100 anos de idade. Desse total, 57,5% são mulheres. No Brasil, as mulheres vivem em média 72,6 anos, enquanto a média masculina é de 64,8 anos. Nos próximos vinte anos, os idosos deverão ultrapassar a cifra de 30 milhões de pessoas, quase 13% da população total nesse período. Em 2001, as pessoas com sessenta anos ou mais constituíam 8,6% do total. O Rio Janeiro é a cidade que possui o maior número de idosos (12,1%) em nosso país.

Homens e Mulheres
De modo geral, como já dissemos, a população brasileira sempre apresentou uma ligeira superioridade numérica de mulheres em relação aos homens. O Censo de 2000 revelou que em nosso país há 97 homens para cada 100 mulheres. A população feminina ultrapassa a masculina em mais de 2,6 milhões. Apenas na região Norte, o número de homens é maior do que o de mulheres. Veja, no gráfico a seguir, o crescimento da população de homens e mulheres no Brasil, no período de 1980 a 2000.

A Distribuição da População Brasileira
Uma das características da distribuição espacial da população brasileira sempre foi a concentração em determinadas áreas do país, sobretudo no Sudeste, no Sul e nas áreas metropolitanas. O Censo de 2000 revelou que quase a metade da população brasileira vive em apenas 244 dos 5561 municípios do país. Se considerarmos a relação entre a área total de nosso território e a população absoluta, temos uma densidade demográfica de 19,84 hab./km2. Entretanto, a ocupação do território brasileiro é extremamente desigual: ao mesmo tempo que temos municípios com menos de 1 hab./km2, como Atalaia do Norte (Amazonas), há outros, como São João de Meriti (Rio de Janeiro), com 12897,8 hab./km2. Já é possível notar uma pequena modificação nas áreas de grande concentração populacional. A região Sudeste possui hoje 41,98% dos habitantes do país. Em 1991, representava quase 44% desse total. Nessa mesma região revela-se o crescimento maior das cidades médias do interior em relação às capitais de estados. Durante a década de 1990, 30 milhões de pessoas mudaram-se para as cidades médias do Sudeste. As grandes metrópoles já estão saturadas. Suas taxas de crescimento estão bem abaixo da média nacional. São Paulo apresenta uma taxa de 0,85%; Rio de Janeiro, de 0,73%; e Belo Horizonte, de 1,13%. Salvador (BA) e Fortaleza (CE) continuam como pólos atrativos na região Nordeste.

A Diversidade Étnica
As regiões geográficas brasileiras apresentam diferenças na distribuição da população, segundo a cor, o que pode ser explicado pelos diferentes processos de povoamento e de ocupação dessas regiões.
Encontramos maior concentração de pardos (nomenclatura usada pelo IBGE para definir os mestiços) na região Norte, em razão da mestiçagem entre os primeiros habitantes (indígenas), o colonizador europeu branco (português).
Os negros concentram-se no Sudeste e no Nordeste, respectivamente, pelo fato de a escravidão ter sido mais intensa nessas regiões.
A maior concentração de brancos na região Sul é explicada, entre outros fatores, pela necessidade que, inicialmente, Portugal tinha de ocupar todo o território brasileiro para garantir sua posse efetiva e pela menor utilização da mão-de-obra escrava nas atividades econômicas da região. A imigração de europeus para o Sul, principalmente a partir do século XIX, também contribuiu para o predomínio da população branca na região.
Ao analisarmos os indicadores econômicos brasileiros, fica visível que os longos processos de intensa exploração dos negros resultaram na desigual distribuição de renda, oportunidade e escolaridade entre nossas etnias. O perfil do negro brasileiro não mudou muito durante a década de 1990: a maioria é homem, jovem e mora principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste.

Condições de Vida do Brasileiro
De acordo com o Relatório do Desenvolvimento Humano, do Fundo das Nações Unidas para a População e Desenvolvimento (PNUD), de 2003, o Brasil classificou-se em 65° lugar em um ranking de 175 países com um IDH de 0,777, Ao analisarmos o comportamento dos três itens levados em conta para esta classificação (educação, saúde e renda per capita) durante a última década, teremos a seguinte situação em nosso país: no período 1992-2001, tivemos uma significativa melhora nos índices de educação (taxas de analfabetismo) e saúde (expectativa de vida). Entretanto, a excessiva concentração de renda prejudicou o desempenho do nosso país no IDH de 2003.
Analisando os índices separadamente, veremos que o Brasil está em 93º lugar em relação à educação, em 110° quanto à expectativa de vida e possui a 62ª renda per capita entre os 175 países analisados.
A desigualdade de distribuição de renda em nosso país pode ser expressa pelo fato de “a renda dos 10% mais ricos ser 48,7 vezes maior do que a renda dos 10% mais pobres”.

  
Indicadores do Desenvolvimento Sustentável
O IBGE divulgou em junho de 2002 o relatório sobre o desenvolvimento sustentável no Brasil na década de 1990, que reúne cerca de 55 itens e que serviu de base para as discussões da Conferência de Johannesburgo, África do Sul (de 26 ago. 2002 a 4 set. 2002). Os principais pontos do relatório foram:
·    Taxa de analfabetismo: a taxa passou de 19,7% em 1991 para 12,8% em 2000. Entretanto, segundo o IBGE, “o universo de 17,6 milhões de analfabetos” representa ainda uma das maiores taxas da América Latina. Quanto às regiões, o Sul tem o índice mais baixo (7%) e o Nordeste tem o pior desempenho (24,6%). Outro problema do Brasil são os chamados analfabetos funcionais, isto é, aqueles que têm muito poucos anos de estudo. O Censo concluiu que 31,2% dos brasileiros têm menos de três anos de estudo.
·    Mortalidade infantil: passou de 48% para 29,6% entre 1991 e 2000; diminuiu mais que o esperado. O Nordeste apresentou a maior queda, apesar de ter as mais altas taxas do país. Passou de 72,9 (1991) para 44,2 (2000). As menores taxas estão nas regiões Sul (19,7) e Sudeste (20,6).
·    Desemprego: a taxa foi mais elevada no período de 1993 a 1996 e atingiu o maior índice em 1998, apresentando uma queda no período de 1999 a 2001. Nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre houve aumento do desemprego. No início de 2004, o IBGE registrou uma taxa de desemprego acima de 11% no país.
·    Renda média: aumentou, mas as desigualdades de distribuição continuam. O índice de Gini, que mede as desigualdades de renda, como vimos, ficou quase inalterado: passou de 0,571 para 0,609 em 2002. O Amapá tem a menor desigualdade (0,483) e a Paraíba a maior (0,644). Existem também grandes diferenças entre os rendimentos médios de homens e mulheres e entre brancos, pardos e negros.
·    Violência: houve um agravamento, principalmente nas cidades. A taxa de homicídios cresceu 37% na década de 1990. Os indicadores socioeconômicos refletem nas relações do homem com o meio ambiente. O Brasil conseguiu reduzir o consumo dos gases responsáveis pela diminuição da camada de ozônio, mas o desmatamento aumentou. A reciclagem de lixo é praticada em apenas 8,2% das cidades brasileiras.

Outros índices analisados foram: a violência, que teve um aumento de 37% de assassinatos; mortalidade infantil, educação e renda, que apresentaram pequenas melhoras; e a desigualdade social, que vai exigir uma política cuidadosa de distribuição de renda.
Os setores que deverão ter especial atenção para atingir o desenvolvimento sustentável serão: educação, saúde, redução da pobreza, desemprego, distribuição de renda, saneamento básico, habitação e segurança.

A Globalização da Pobreza: Desigualdades e Novas Migrações

O crescimento da economia mundial no século XX foi marcado por duas características principais: ritmo acelerado e distribuição desigual entre várias regiões e países do mundo.
Segundo a ONU, “entre 1950 e 2000, o PIB mundial aumentou oito vezes, enquanto no mesmo período a população mundial passou de 2,5 bilhões para 6,1 bilhões. Em virtude do progresso tecnológico, o crescimento da produção se manteve muito acima do crescimento demográfico, dando lugar a uma triplicação do PIB ou renda per capita mundial”. Entretanto, existem grandes diferenças entre a distribuição da renda ou PIB per capita, quando consideramos as várias regiões do planeta.

Crescimento Econômico e Pobreza
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é considerado o indicador socioeconômico mais amplo e completo porque leva em consideração três aspectos importantes:
·    expectativa ou esperança de vida: condições de saúde que permitem uma vida mais longa e saudável.
·    grau de escolaridade: taxas de alfabetização e taxas de matrícula em todos os níveis educacionais. No caso do Brasil, temos o ensino fundamental, médio e superior.
·    renda percapita: distribuição de renda e qualidade de vida dos habitantes.

O IDH é a média simples dos valores correspondentes a esses três aspectos e varia de 0,0 a 1,0. Quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho de uma nação. A classificação dos IDHs é a seguinte: baixo (até 0,500), médio (de 0,500 a 0,799) e alto (acima de 0,800). O IDH foi criado pela ONU, na década de 1990, para avaliar e comparar o padrão de vida das nações do mundo.
Outros índices também são empregados para determinar as desigualdades na qualidade de vida no mundo. Os principais são:
·    índice de Condições de Vida: revela detalhes mais específicos da qualidade de vida das populações: são 18 índices relativos a renda, habitação, infância, educação e longevidade. Também varia de 0 a 1: baixo (0 a 0,5), médio (0,5 a 0,8) e alto (acima de 0,8).
·    índice de Pobreza Humana (IPH): mede a proporção de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza. O IPH-1 calcula os índices dos países subdesenvolvidos e o IPH-2 o dos países desenvolvidos.
·    índice de Gini: mede a concentração de renda em certos setores da população de um país. Varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior a concentração de renda. O Brasil está entre os cinco países de maior concentração de renda no mundo.

Migrações Internacionais
Os movimentos horizontais da população são chamados de movimentos migratórios e compreendem a imigração (entrada de pessoas em uma região ou país) e a emigração (saída de pessoas de uma região ou país). Quando as migrações acontecem dentro de um país são chamadas migrações internas e quando se processam de um país para outro são denominadas migrações internacionais.
As migrações no fim do século XX e início do século XXI mudaram de direção. Enquanto no século XIX e em grande parte do século XX imigrantes de países como Itália, França, Espanha e Alemanha, entre outros, procuraram uma vida melhor na América, as migrações internacionais no mundo globalizado realizam-se dos países subdesenvolvidos para países desenvolvidos. Os Estados Unidos e os países da União Europeia são os “paraísos” mais procurados pelos imigrantes da globalização.
Como esses países possuem severas leis para regulamentar a entrada de imigrantes, suas fronteiras são severamente vigiadas e, muitas vezes, pontos de confronto, como a do México-Estados Unidos e a das cidades espanholas de Ceuta e Melilla na costa do Marrocos. Para a União Europeia convergem imigrantes da Europa Oriental, do norte da África e da Ásia. Da Turquia sai o maior número de imigrantes em direção à União Europeia. O movimento de população já foi mais intenso entre os países da União Europeia. Entretanto os benefícios concedidos a países membros de economia mais fraca têm ajudado a diminuir os movimentos no interior da comunidade.

Imigrantes nos Estados Unidos
Em 1990, os Estados Unidos tinham 253.979.140 habitantes, dos quais 9,3% eram hispânicos. Em 2000, o percentual é de 12,5% dos 282 milhões de habitantes. As taxas de crescimento da população hispânica atingiram cerca de 60%, enquanto o total de habitantes aumentou 13,2%.
O alto percentual de hispânicos na população dos Estados Unidos não significa que esse contingente esteja integrado à sociedade do país. Uma prova disso é que não são considerados brancos no censo demográfico. Os “não brancos” de origem hispânica, ou melhor, da América Latina, vivem segregados, formando “colônias”, de acordo com a nacionalidade, nas maiores cidades do país. Mexicanos, cubanos, portoriquenhos e outros nativos de países latino-americanos são todos hispânicos para o Census Bureau, órgão oficial que realiza o censo do país.
Um estudo divulgado em março de 2004 pelo U.S. Census Bureau indica que, em 2050, as populações hispânica e negra vão superar a maioria branca.

As Migrações Primitivas
Dentre as formas de deslocamento populacional, as mais primitivas são o nomadismo e a transumância.
Nomadismo é o sistema de vida de alguns povos caracterizado pela inexistência de habitação fixa e pelo deslocamento permanente ou periódico de toda a população. Representa uma maneira simples e passiva de adaptação, geralmente através de pastoreio. É a mais antiga das formas de movimento populacional que existe.
A forma mais comum é encontrada nas zonas marginais ao Saara e nas estepes semi-áridas da Ásia Centro – Ocidental. Nessas regiões, os pastores deslocam-se com seus rebanhos, normalmente ovinos, caprinos e camelos atraídos pelas chuvas que comandam o florescimento dos pastos.
Além do nomadismo pastoril, existe ainda o nomadismo comercial. Ele pode ser encontrado em certas regiões áridas e é praticado por comerciantes que se deslocam em caravanas de um lugar para outro, levando consigo os produtos para serem vendidos em mercados e feiras.
Devido ao caráter transitório de ocupação do espaço, o nomadismo não conduz a grandes edificações humanas. No mundo de hoje, cada vez mais dominado pela tecnologia, ele está irremediavelmente em fase de desaparecimento.
Já a transumância representa um estágio mais evoluído em relação ao nomadismo, do qual se diferencia por suas características principais:
As pastagens são divididas em duas zonas e apenas os pastores acompanham os rebanhos. A população é, portanto, sedentária, enquanto o uso da terra é alternado entre zonas de recursos pastoris complementares.
Antigamente, a transumância era muito comum em algumas regiões da Europa e da Ásia. As pastagens de montanha eram ocupadas durante o verão e as de planícies aproveitadas no inverno. Hoje em dia, porém a transumância tradicional é rara e os povos que praticam geralmente estão alheios à civilização moderna. Na Europa, contudo, ela evoluiu para uma transumância comercial, feita em grandes propriedades e com os animais sendo criados de acordo com técnicas modernas; esse tipo é muito comum na região dos Alpes.
No Brasil, temos dois movimentos muito parecidos com a transumância. Um é aquele que acontece quando o nordestino foge da seca aguda do sertão, retomando após as chuvas, e o outro é a fuga dos tropeiros do Pantanal do Mato Grosso, durante o período de enchente, quando procuram levar o gado para as áreas mais altas da região, retomando quando as águas baixarem.

Migrações Espaciais
Quanto ao espaço em que se realizam, as migrações podem ser internas ou externas, segundo se processem dentro de um país ou de um país para outro.
Tratando-se de movimento longo e duradouro, toda migração comporta uma saída, chamada emigração e uma entrada na nova região, denominada imigração. De preferência, porém, essas duas palavras devem ser reservadas para as migrações externas ou internacionais.

Migrações Internas
As migrações internas são aquelas que se processam dentro de um país. Podem ser de uma região para outra (inter-regionais) ou dentro de uma mesma região (intra-regionais). Ao mesmo tempo, poderão ser campo-campo, campo-cidade ou cidade-cidade. Nesse último caso, geralmente se fazem de centros urbanos menores para as metrópoles. Existem ainda as migrações cidade-campo, que são menos frequentes que as demais.
Entre os movimentos temporários e regulares destacam-se as migrações permanentes, migrações pendulares e migrações sazonais.

Migrações Permanentes
São aquelas em que as pessoas migram sem perspectiva de retornar ao lugar de origem do movimento. Como exemplo, temos os grupos de imigrantes que vieram para o Brasil no final do século XIX.

Migrações Pendulares
São os movimentos de vaivém que fazem diariamente, os trabalhadores, da periferia para a cidade e vice-versa. Em sua grande maioria, são trabalhadores residentes em cidades-satélites ou subúrbios que saem diariamente para trabalhar na metrópole próxima, retomando no final da jornada. No mesmo tipo se encontram os movimentos das pessoas que buscam nas cidades os bens e serviços que não existem nos subúrbios ou nas cidades-satélites.
É um fenômeno cuja intensificação está na razão direta da urbanização, da formação de grandes cidades, em que a valorização do espaço obriga as populações a residirem cada vez mais longe do local do trabalho ou do centro de serviços.
A migração pendular, quando é intensa, demanda um sistema de transporte de massa, entre a cidade e a periferia, cada vez mais eficiente.

Migrações Sazonais
São aquelas em que os indivíduos se deslocam para uma determinada região por um determinado período, retornando ao local de origem do movimento, logo após esse período. A migração sazonal ou periódica, muitas vezes está associada a uma estação econômica favorável, como, por exemplo, um período de colheita agrícola. No Nordeste brasileiro, por exemplo, durante a época do corte da cana-de-açúcar, muitos habitantes do Agreste e do Sertão deslocam-se para o Litoral, atraídos pelos empregos oferecidos nos canaviais, o mesmo acontecendo nas áreas de lavoura de café, durante a colheita. Terminada a temporada de trabalho, eles retomam ao seu lugar de origem. Por estar ligado à safra, esse movimento é chamado migração dos safristas.
No mundo moderno, as migrações sazonais são aquelas realizadas por ocasião da temporada de veraneio. Na Europa, por exemplo, milhões de pessoas deslocam-se para as praias do Mediterrâneo, durante o verão. No Rio Grande do Sul, durante os quentes meses de verão, boa parte da população do Estado dirigiu-se para o litoral norte. Essas migrações provocam muitas consequências, principalmente econômicas. Existem, inclusive, muitas regiões que têm atividades na dependência das migrações sazonais que recebem.

Urbanização e Migração Campo-Cidade
A migração campo-cidade que foi no passado uma exclusividade dos países ricos, é hoje, um processo universal em que as populações transferem-se do campo para a cidade, trocando, portanto, as atividades rurais pelas atividades urbanas, isto é, indústria, comércio e serviços.
É importante, porém, distinguirmos a migração campo-cidade dos países ricos, com o que aconteceu nos países pobres. Nos países desenvolvidos, onde houve a revolução industrial, a tecnologia e a mecanização do campo, liberaram a mão-de-obra do campo, que por sua vez foi absorvida pela indústria e posteriormente o comércio e os serviços. Esse movimento se deu ao longo de um tempo muito grande, o que foi suficiente para que as cidades se preparassem para receber esse grande efetivo populacional. Dessa forma, é um movimento positivo, pois a liberação da mão-de-obra do campo veio acompanhada de um aumento de produtividade, em função dos avanços tecnológicos proporcionados para a zona rural, ao tempo em que as cidades criavam condições de oferecer emprego à população proveniente do campo.
Por outro lado, nos países que não fizeram a sua revolução industrial, o fenômeno tem outra dinâmica. Acontece que a grande população rural, com fracos rendimentos face à carência de tecnologia e mecanização e, portanto, com baixo nível de vida, se sente atraída pela perspectiva de um emprego urbano, que melhore seu padrão de vida. Nessas condições, a migração para as cidades se faz em tão larga escala que se deve falar em êxodo rural.
Ocorre então que, possuindo uma fraca desintegrada industrialização (isto é, indústria produz apenas para um limitado mercado consumidor e daí a preferência por artigos sofisticados que, apesar da baixa produção, permitem alto rendimento), a cidade não apresenta uma oferta de empregos compatível com a procura. Em consequência, surgem o desemprego e o subemprego no setor terciário. E isso necessariamente vai refletir, na formação de malocas, favelas, mocambos ou outras denominações que se dêem ao cinturão marginal das cidades.

A Imigração no Brasil
Sendo um país jovem, era forçoso que o povoamento do Brasil se desse mediante correntes imigratórias.
A imigração para o Brasil só vai começar a acontecer, em maior escala, a partir de 1808, quando houve a transferência da família real para o Brasil. Até aquela época, tinham sido poucos os imigrantes que haviam chegado ao país, pois não havia incentivo para a atração de imigrantes.
A rigor, os portugueses constituem os primeiros e mais significativos imigrantes vindos ao país, os quais forçaram em seguida a imigração africana. Todavia, para fins estatísticos, os portugueses são considerados imigrantes somente depois da independência, isto é, após 1822.
Além disso, quando se fala em imigração têm-se em conta outras correntes que não a lusa e a africana do período colonial. Isso porque estas têm um sentido bem mais importante, pois respondem pela base da formação étnica do Brasil.
A transferência da família real para o Brasil mostrou a necessidade de recebermos imigrantes para povoar o país e assim garantir melhor a posse das terras, principalmente na região Sul, que era totalmente despovoada e tinha as suas fronteiras ameaçadas pelos nossos vizinhos (países platines).
O marco inicial da imigração para o Brasil se situa em 1824. Naquela época, além da necessidade que tínhamos dos imigrantes, havia um forte fator de repulsão na Europa, que ainda se adequava aos novos tempos de revolução industrial. A América era um local atraente, onde os imigrantes viam a perspectiva de conseguirem se tornar donos de terra, o que era símbolo de riqueza para os imigrantes europeus. Foi nessa ocasião que as primeiras levas de colonos alemães desembarcaram as margens do rio dos Sinos, onde hoje se ergue a cidade de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.
Com efeito, os primórdios da Independência mostravam a necessidade de povoar e colonizar o Planalto Meridional, cujas condições naturais viriam permitir a adaptação de imigrantes europeus. Mesmo porque as disputas com os platinos estavam a exigir não só a ocupação do território, mas, e acima de tudo, o estabelecimento de uma base econômico-demográfica que servisse de apoio para as incursões das tropas brasileiras, ou luso-brasileiras, à região do Prata.
Por essas razões, o governo brasileiro resolveu promover a vinda de imigrantes europeus, atraindo-os mediante várias promessas, apesar de que nem todas vieram a ser cumpridas. Em vista disso, diz-se que a imigração para o país foi provocada e não espontânea.

Principais Grupos de Imigrantes
(migrações Induzidas)
·    Os Alemães
No ano de 1824 começaram a chegar os alemães ao Rio Grande do Sul, estabelecendo-se com sua economia agrícola na área da Campanha Gaúcha. Mais tarde ocuparam o Planalto na região noroeste daquele Estado sulino. Fundaram vários núcleos, muitos dos quais vieram a ser cidades de hoje, como Novo Hamburgo, São Leopoldo etc.
A partir de 1850, os alemães se encaminharam para Santa Catarina, Vale do Itajaí, principalmente pela iniciativa particular do Barão de Blumenau. A esse fato se deve o surgimento posterior das cidades de Blumenau, Joinvile, Brusque e Itajaí, na região mais próspera daquele estado.
O fracasso desse movimento migratório aconteceu em função do isolamento imposto para os alemães na região Sul, onde não havia integração econômica com o resto do país, provocando o surgimento de uma economia de subsistência que empobrecia os imigrantes e não criava estímulo para a vinda de novos grupos.

·    Os Italianos
Somente a partir de 1870, é que começaram a chegar ao Brasil os italianos. A Itália vivia naquela época um forte fator de repulsão marcado pelas desigualdades entre o Norte e o Sul desse país. O Norte industrializado e desenvolvido, enquanto que o Sul era agrário e pobre. A revolução industrial deixou uma grande leva de desempregados no Sul da Itália, que procuravam desesperadamente a solução dos seus problemas nas migrações para as Américas. Nenhum outro país da Europa mandou tanta gente embora quanto a Itália.
Inicialmente, estabeleceram-se em São Paulo, aonde vieram a substituir, na condição de assalariados, o braço escravo. Naquela época, a expansão da lavoura do café e o surgimento da lei “Euzébio de Queiroz” em 1850, que proibia o tráfico de escravos para o Brasil, provocaram uma necessidade de mão-de-obra para a lavoura cafeeira que culminou com a segunda política de atração de imigrantes para o Brasil.
A propósito dos italianos em São Paulo, deve-se ressaltar a sua fundamental contribuição na economia agrícola, pois, da condição de empregados das lavouras cafeeiras, muitos deles acabaram por se tornar pequenos e médios proprietários. Isso porque as crises do café, já no atual século, impuseram o parcelamento das grandes propriedades monocultoras em benefício de sítios policultores. Este fato criou condições para que muitos ex-colonos viessem a ser sitiantes.
Os italianos se constituíram no maior grupo de imigrantes que chegou ao Brasil de uma única vez, porém a condição subumana em que eles viviam nas fazendas de café (escravidão branca), fez com que o número de imigrantes italianos que chegavam ao Brasil diminuísse rapidamente no início do século XX.
Já a partir de 1875, começaram os italianos a se dividir para o Rio Grande do Sul, ocupando a borda do Planalto, ao contrário dos alemães, que preferiram os vales. Essa migração italiana deu origem a futuras cidades, como Duque de Caxias, Bento Gonçalves, Garibaldi etc.
Muitos italianos, após saírem das fazendas de café, foram trabalhar nas cidades, onde participaram do surgimento da indústria brasileira.
Ainda em 1875, muitos eslavos (bielo-russos, russos, ucranianos e poloneses) trouxeram sua contribuição ao povoamento do país, fixando-se principalmente no Paraná.

·    Os Japoneses
O ano de 1908 assinala o início da imigração de japoneses, quando os primeiros colonos desembarcaram em São Paulo. Os japoneses vieram também para trabalhar na lavoura do café, que continuava em expansão e precisava de mão-de-obra por causa da redução da imigração italiana.
Nesse Estado, após terem se libertado das fazendas de café, os japoneses fixaram-se nas redondezas da capital, onde fundaram os “cinturões verdes” (pequenas propriedades dedicadas ao cultivo de hortaliças, frutas e pequenas criações, cujo objetivo era abastecer os grandes centros urbanos); mas muitos deles ocuparam o Vale do Ribeira, especialmente com a fruticultura e a plantação de chá.
Um contingente bem menor desses imigrantes, apesar de também significativo, foi para a Amazônia, fixando-se principalmente na Zona Bragantina, no Estado do Pará. Nessa região, os japoneses introduziram a cultura da juta e da pimenta-do-reino.
A imigração continuou sem maiores restrições até 1934, quando também aportaram no Brasil vários outros grupos, como portugueses, espanhóis e sírio-libaneses. Tais movimentos, porém, não chegaram a individualizar regiões de povoamento, visto que se dirigiam em sua maior parte para as cidades.

Portugueses e Espanhóis
(migrações Espontâneas)
Os portugueses e espanhóis que chegaram ao Brasil passaram a se dedicar às atividades comerciais nos grandes centros urbanos.
Com a crise de 1929 e posterior revolução de 30, a imigração passou a ser sensivelmente restringida, com a fixação da “lei de cotas”, por parte do governo. O sistema restritivo estabelecia que de cada nacionalidade só podia imigrar anualmente até 2% do total que havia entrado no país nos últimos 50 anos.
Em 1938, foram criadas diversas leis reguladoras, pelas quais, entre outras disposições, ficava estabelecido que nenhum imigrante poderia ser portador de defeito físico que o impedisse de trabalhar, ou de moléstias contagiosas; que não seria permitido professar crenças estranhas ao regime; além do que, um mínimo de 80% deveria ser constituído de agricultores. Já em 1939, um acordo isentou os portugueses das restrições de cotas.
Na década de 70, angolanos e moçambicanos de ascendência portuguesa chegaram ao Brasil, foragidos da independência e descolonização desses países.

A Fuga dos Brasileiros
A partir da década de 70 os brasileiros começam o fluxo da emigração, inicialmente para o Paraguai, quando surgem os brasiguaios, por conta da mecanização da lavoura na região sul e, posteriormente, sudeste, sendo na década subsequente, o deslocamento realizado para os EUA e Japão, maiores economias na década de 80. Neste período surgiram os dekasegues, brasileiros de descendência japonesa que iam trabalhar no Japão, mantinham as famílias no Brasil e enviavam seus ganhos em dólares para seus familiares.
Na última década o principal destino continuou sendo os EUA, enquanto o Japão que outrora era a segunda opção, foi substituído pela Europa, como destino para os brasileiros.




Breve Histórico das Migrações Internas no Brasil
Século
Características
XVI e XVII
Saída de nordestinos da Zona da Mata rumo ao Sertão atraídos pela expansão da pecuária.
XVIII
Saída dos nordestinos e paulistas rumo à região mineradora (Minas Gerais).
XIX
Saída de mineiros rumo ao interior paulista atraídos pela expansão do café.
XX – Década de 1950
Saída de nordestinos rumo ao Centro-Oeste (Goiás) para trabalhar na construção de Brasília. Esse período ficou conhecido como a “Marcha para o Oeste”, e os migrantes foram chamados pejorativamente de “candangos”.
Décadas de 1950 e 1960
Saída de nordestinos (principalmente) rumo ao Sudeste, motivada pela industrialização. As cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro receberam o maior fluxo de imigrantes.
Décadas de 1960 e 1970
Saída de nordestinos que continuaram migrando para o Sudeste, o Centro-Oeste (Mato Grosso) e o sul (Paraná). A partir de 1967, com a criação da Zona Franca de Manaus, ocorreu intensa migração de nordestinos rumo à Amazônia (principalmente Manaus). Em grande parte foi uma migração orientada pelo governo federal.
Décadas de 1970 e 1990
Saída de sulistas rumo ao Centro-Oeste (agropecuária) e de nordestinos rumo à Amazônia (agropecuária e garimpo). Em consequência, o Norte e o Centro-Oeste foram, respectivamente as regiões que apresentaram o maior crescimento populacional do Brasil nas últimas décadas.



  Censo Demográfico
O IBGE realiza vários tipos de Censos, embora o mais conhecido seja o Censo Demográfico, que é o conjunto de dados estatísticos sobre a população de um país. No Brasil, os censos demográficos são realizados de 10 em 10 anos exclusivamente pelo IBGE, pois é o órgão definido por lei como responsável pela sua realização.

Contagem de População
A Contagem de População é realizada entre o intervalo de dois censos demográficos, geralmente cinco anos depois do último ou cinco antes do próximo. Objetiva atualizar os dados sobre o número de habitantes, e nem sempre é aplicada em todos os municípios. A primeira contagem de população foi realizada em 1996, não só para atualizar os dados populacionais, mas principalmente pelo surgimento de novos 1.500 municípios após o Censo Demográfico de 1991.
Passado o censo realizado no ano 2000, o IBGE procedeu a contagem populacional no ano de 2007, a qual teve como objetivo atualizar as estimativas de população, incorporando também as mudanças demográficas ocorridas no território nacional, desde o último levantamento de referência que, neste caso, foi o Censo Demográfico 2000.
De acordo com o último censo demográfico, o padrão de migração interna do Brasil sofreu grandes mudanças na última década do século XX. A emigração a partir do Nordeste sofreu uma drástica redução e verifica-se um retorno do migrante à terra de origem. Esse processo reflete a crise econômica e social da década de 80, que limitou as oportunidades de emprego na região Sudeste e a expansão da economia urbana das cidades nordestinas. Com isso algumas das cidades que mais cresceram no Brasil, nos últimos anos foram Salvador, Fortaleza e Recife.
Outra alteração significativa no perfil migratório do Brasil é a redução do fluxo migratório para as grandes cidades e o aumento do fluxo inverso, ou seja, cada vez mais as pessoas estão deixando as grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, em busca de melhores condições de vida nas cidades de médio porte do interior. Na década de 80 a cidade de São Paulo começou apresentar saldo migratório negativo.
Outro dado interessante apresentado pelo último censo é a crescente saída dos colonos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, em direção às áreas de fronteira agrícola do Brasil (Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Oeste da Bahia). Esse movimento se deve, sobretudo, ao processo de modernização da agricultura na Região Sul e à estrutura fundiária que diminuiu as possibilidades de sobrevivência para os pequenos agricultores.

Distribuição Geográfica da População Brasileira
O Brasil apresenta-se com uma distribuição bastante irregular de sua população.
Podemos observar áreas com altíssima concentração populacional, enquanto outras apresentam grandes vazios demográficos.
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Análise da tabela acima:
·    Podemos observar que as duas maiores regiões (Norte e Centro-Oeste) somam 65% da área nacional a abrigam apenas 22% da população do país.
·    As regiões mais populosas (Sudeste e Nordeste), são as que possuem povoamento mais antigo.
·    A região Sudeste é a mais populosa e a mais povoada do Brasil.
·    As três mais populosas são: 1º - Sudeste; 2º - Nordeste; 3º - Sul.
·    As três mais povoadas são respectivamente: 1º - Sudeste; 2º - Sul; 3º - Nordeste.

Análise da tabela:
·    Os três estados mais populosos são: 1º - São Paulo; 2º - Minas Gerais; 3º - Rio de Janeiro.
·    Os três estados mais povoados são: 1º - Rio de Janeiro; 2º - São Paulo; 3º - Alagoas (72 hab./km2).
·    O Rio Grande do Sul superou o Paraná na última década colocando-se em 5º lugar mais populoso.

Conclusão
·    Grande concentração populacional, na faixa litorânea. Este fator evidencia a situação da ex-colônia que necessitava facilitar seus contatos comerciais com a Metrópole.
·    As regiões Norte e Centro-Oeste, têm-se apresentados nos últimos anos áreas de atração populacional, devido ao desenvolvimento das atividades agropecuárias e de mineração.
·    O nordeste continua como típica área de repulsão de população em direção ao Sudeste e a Amazônia.


Urbanização

Urbanização não é apenas o crescimento de uma cidade. O termo também implica um estilo de vida decorrente da industrialização que ocorre nas cidades.
Se, por volta de 1960, um terço da humanidade vivia nas cidades e grandes metrópoles, essa proporção deverá atingir cerca de 50% na virada do século. Em 1950, não havia mais do que 6 aglomerações urbanas com populações acima de 5 milhões.
Atualmente, na América do Norte, Europa, Austrália e América Latina, os citadinos predominam, enquanto que as populações dos países da África e Ásia, graças ao seu número, asseguram a preponderância dos habitantes rurais. Todos os países têm os seus próprios tipos de urbanização, que diferem, antes de tudo, em função das relações sociais que aí dominam. Os países que apresentam os mais elevados índices de urbanização são os capitalistas desenvolvidos, sendo que o seu processo de urbanização ocorreu de forma integrada com as transformações no campo, ou seja, a indústria empregou a mão-de-obra oriunda do campo, mas, ao mesmo tempo, forneceu máquinas para suprir a liberação da mão-de-obra rural. Nos países socialistas, o processo de urbanização está estreitamente ligado á industrialização no quadro da economia planificada, pois existem planos para limitar a pressão demográfica excessiva sobre as grandes cidades, existindo, inclusive, política de povoamento pioneiro de determinadas áreas. Por outro lado, nos países do Terceiro Mundo a urbanização é extremamente contraditória: por um lado, ela contribui de uma certa forma para o progresso destes países, favorece o crescimento da classe operária, e aumenta o papel das cidades na vida destes países; por outro lado, ela agrava os problemas sociais e econômicos devido à excessiva pressão demográfica sobre as metrópoles. Tal fato ocorre devido ao não acompanhamento do processo de industrialização nos mesmos índices da urbanização, causando assim o fenômeno da inchação urbana, que irá contribuir para o aumento da marginalização, do desemprego e do subemprego. A expansão urbana pode resultar em várias formas de aglomerações humanas, pois “o poder de atração que uma cidade exerce em torno da área que a cerca, consequente das transações comerciais que realiza com as áreas rurais, provoca a formação de áreas de influência e, em consequência, regiões polarizadas”, sendo que “não se concebe mais região sem cidade nem cidade sem região”. As aglomerações urbanas podem ser classificadas como:
·    Conurbações: conjunto formado por duas ou mais cidades próximas, em que ocorre interação física e funcional entre elas. Exemplo: São Paulo e Osasco, e a área que abrange as cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema.
·    Áreas ou regiões metropolitanas: são grandes espaços urbanizados, integrados funcionalmente a uma metrópole. Exemplos: região metropolitana de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro.
·    Megalópoles: são conjuntos de metrópoles interligadas abrangendo extensas áreas. Exemplos: a região que vai de Boston a Washington, tendo Nova lorque como centro e, na Ásia, a região que vai de Tóquio a Osaka.

Urbanização Brasileira
O processo de urbanização da população brasileira adquiriu enorme intensidade a partir da década de 1950 devido, principalmente, à industrialização. Em 1940, apenas 31% dos brasileiros viviam em cidades, contra 69% no campo. Em 1980, essa situação inverteu-se: 67,5% brasileiros estavam vivendo em cidades, e apenas 32,5% viviam no campo.
Em 2000, o porcentual de população urbana no Brasil elevou-se para 81,7%, situando-se bem próximo dos porcentuais encontrados em países desenvolvidos. Em 1950, só existiam no Brasil três cidades com população acima de 500.000 habitantes. Em 2000, o Brasil passou a ter 31 cidades com população acima de 500.000 habitantes.
O censo de 1980 confirmou a tendência da população brasileira de se concentrar principalmente nos grandes centros urbanos. Em 1970, as regiões metropolitanas concentravam 24,3 milhões de pessoas. Em 1991, passaram a concentrar 41,6 milhões de pessoas, um aumento de quase 60% em apenas duas décadas.
Por outro lado, embora se trate de fenômeno recente, já é possível detectar uma nova tendência da população: o abandono das grandes cidades em favor das cidades de porte médio. Por exemplo: 15% das pessoas que haviam migrado para a cidade de São Paulo entre 1980 e 1990 se transferiram para outras cidades do próprio estado. Esse fenômeno está ocorrendo também em outras metrópoles, como, por exemplo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
A diminuição do ritmo de crescimento populacional das capitais estaduais é outro dado recente e importante. É importante porque as cidades ficam um pouco mais aliviadas dos problemas gerados pelo excesso de população.
No período 1980-1991, houve diminuição da taxa de crescimento populacional em 23 capitais, entre as quais a capital federal. As maiores reduções ocorreram em Brasília (de 8,1% para 2,5%) e em Goiânia (de 6,5% para 2,3%).
Palmas (TO), Boa Vista (RR), Porto Alegre (RO) e Rio Branco (AC) foram, pela ordem, as capitais que apresentaram os mais elevados índices de crescimento populacional no período 1980-1991. Palmas (capital de Tocantins a partir de 10 de janeiro de 1990) teve um crescimento populacional de quase 20% entre 1980 e 1991.
A expansão industrial acelerou o crescimento de algumas cidades, principalmente capitais, para as quais afluíram os maiores investimentos e as atividades mais modernas, transformando-as em importantes pólos de desenvolvimento e de atração populacional. Com isso, formaram-se aglomerações urbanas com mais de um milhão de habitantes, chamadas de cidades milionárias.

Com o objetivo de facilitar o planejamento nas grandes aglomerações urbanas do país, foram criadas por lei federal, em meados da década de 1970, as regiões metropolitanas. Estas são, portanto, regiões de planejamento governamental, que se caracterizam pela reunião de diversas cidades numa grande mancha urbana, marcada por integração de atividades, forte concentração populacional e grande dinamismo econômico.

A Urbanização no Brasil
O processo de urbanização no Brasil se iniciou em 1532 com a fundação da Vila de São Vicente, no litoral paulista. Salvador, a primeira cidade brasileira, foi fundada em 1549.
No século XVI, o Brasil possuía apenas três cidades, todas elas situadas junto ao litoral: Salvador, a capital, Rio de Janeiro e Nossa Senhora das Neves, atual João Pessoa (fundada em 1585). Existiam, ainda, catorze vilas, dentre as quais estavam São Vicente (1532) e São Paulo (1554).
No século XVII, foram criadas mais quatro cidades, também situadas junto ao litoral: São Luís do Maranhão (1612), Cabo Frio (1615), Belém (1616) e Olinda (1676). Além dessas cidades, foram criadas 37 novas vilas.
O primeiro surto de urbanização ocorreu no século XVIII, com o ciclo da mineração. A atividade mineradora foi importante para a urbanização do país porque:
·    originou inúmeras vilas e cidades (Vila Rica, Mariana, São João dei Rei, Diamantina, Cuiabá e outras) e promoveu a interiorização do desenvolvimento econômico e urbano do país.
·    provocou a transferência da capital da colônia, de Salvador para o Rio de Janeiro (1763), e o deslocamento do eixo econômico do Nordeste açucareiro para o Sudeste aurífero.

Após a chegada da família real (1808) e, principalmente, após a Independência do Brasil (1822), iniciou-se uma nova etapa na evolução urbana do país. Essa nova etapa será caracterizada pelo rápido crescimento urbano no Sudeste do país, principalmente nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo em virtude da expansão cafeeira.
Em 1872, data do primeiro recenseamento oficial do Brasil, a população da cidade do Rio de Janeiro (275.000 habitantes) já era o dobro da população de Salvador (129.000 habitantes). Da segunda metade do século XIX até a primeira metade do século XX, a cidade do Rio de Janeiro (capital do país e centro portuário) ocupou a primeira posição no cenário nacional. A partir da segunda metade do século XX, e até os dias atuais, a cidade de São Paulo, impulsionada pela indústria, assumiu o comando da vida nacional. Em 1872, existiam no Brasil dez cidades com população acima de 30 mil habitantes, e apenas três cidades com população superior a 100 mil habitantes (Rio de Janeiro, Salvador e Recife). De 1872 a 1900, a cidade de São Paulo saltou da 10ª posição (31.385 habitantes) para a 2ª posição (239.820 habitantes). Vale lembrar que esse período coincide com o apogeu da cafeicultura no Estado de São Paulo. No Rio de Janeiro, o café estava em decadência.
Enquanto a população da cidade do Rio de Janeiro aumentou 3,3 vezes no período em questão, a população da cidade de são Paulo aumentou 7,7 vezes, mais que o dobro em reação à cidade do Rio de Janeiro. O maior desenvolvimento urbano da Região Sudeste nada mais é que o reflexo da sua hegemonia econômica, iniciada com o ciclo da mineração e aprofundada com os ciclos do café e da indústria. Observe que:
·    O crescimento populacional das duas maiores cidades do Sudeste (Rio de Janeiro e São Paulo) foi muito superior ao crescimento das duas maiores cidade nordestinas (Salvador e Recife). Em 1872, Salvador ocupava a 2ª posição no país e possuía metade da população do Rio de Janeiro. Em 1950, possuía apenas um quinto da população do Rio de Janeiro e ocupava a 4ª posição do país.
·    Belo Horizonte, cidade planejada e inaugurada em 1898, necessitou de apenas sessenta anos para ultrapassar a cidade de Salvador. Em 1960, Belo Horizonte possuía 683.908 habitantes, contra 649.453 habitantes em Salvador.
·    A partir de 1960, a Região Sudeste passou a ter as três maiores cidades do país: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

A elevada taxa de urbanização (72,8%) alcançada pela região Sudeste em 1970 foi a que mais contribuiu para transformar o Brasil em um país urbanizado, ou seja, a população urbana (56%) superou a população rural (44%). Nos censos de 1960 e 1970, apenas a Região Sudeste aparecia como urbanizada. Foi somente a partir do censo de 1980 que as demais regiões se incluíam nessa categoria.

Urbanização e Metropolização no Brasil
A urbanização brasileira é tipicamente concentradora, isto é, geradora de grandes cidades e metrópoles. As metrópoles são as maiores e mais bem equipadas cidades de um país. Podem ser nacionais (quando exercem influência sobre todo o território nacional) e regionais (quando exercem influência sobre uma grande porção ou região do país). O Brasil possui duas metrópoles nacionais (São Paulo e Rio de Janeiro) e sete regionais (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre). Existem, atualmente, várias cidades que, embora não sejam legalmente classificadas como metrópoles regionais, já fazem por merecer esse título. São os casos, por exemplo, das seguintes cidades: Goiânia, Manaus, Londrina, Campinas e São José dos Campos. A respeito do caráter concentrador (formador de grandes cidades e metrópoles) da urbanização brasileira, observe que:
·    Em apenas três décadas (1950-1980), a população da Cidade do Rio de Janeiro passou de 2.400.000 habitantes (1950) para 5.100.000 habitantes (1980), ou seja, mais que dobrou. A cidade de São Paulo cresceu mais ainda: sua população passou de 2.200.000 (1950) para 8.500.000 (1980), ou seja, quadruplicou. A cidade de Belo Horizonte não ficou atrás nem mesmo de São Paulo. Nessas três décadas, sua população simplesmente quintuplicou: passou de 352.000 (1950) para 1.700.000 habitantes (1980).
·    Em 1950, só existiam, no Brasil, duas cidades com população acima de 1 milhão de habitantes (Rio de Janeiro e São Paulo). Em 1980, passaram a existir dez cidades com população superior a 1 milhão de habitantes, duas das quais tinham mais de 5 milhões de habitantes cada.
·    Em 1950, a cidade de São Paulo não se incluía entre as vinte cidades mais populosas do mundo. Segundo estimativas, a Região Metropolitana de São Paulo será a segunda maior aglomeração urbana do mundo. São Paulo é a cidade que melhor reflete o caráter concentrador da urbanização brasileira.

A maior parcela da população urbana do Brasil está concentrada nas grandes cidades e nas metrópoles.

Das Metrópoles às Megalópoles
O estágio seguinte à formação das metrópoles e regiões metropolitanas é o da formação de megalópoles. Por megalópole entende-se uma vasta área urbanizada, resultante da conurbação de duas ou mais metrópoles. A maior megalópole do mundo encontra-se na porção nordeste dos Estados Unidos. É a chamada Boswash, que se estende desde Boston (Bos) até Washington (Wash), tendo como metrópole central a cidade de Nova York. A Boswash concentra mais de 50 milhões de pessoas (cerca de 20% da população dos EUA). Outros expressivos exemplos de megalópoles são encontrados no Reino Unido região de Londres-Birmin-gham-Manchester – e no Japão – região de Tóquio-Nagóya-Osaka. No Brasil, o intenso processo de urbanização que vem ocorrendo nas últimas décadas está conduzindo à formação da primeira megalópole do país. Trata-se de uma expressiva aglomeração urbana que está se formando ao longo do Vale do Paraíba, entre as duas maiores metrópoles do país: São Paulo e Rio de Janeiro.
A intensa circulação de pessoas e mercadorias no espaço da megalópole brasileira exige o rápido aprimoramento, principalmente, dos meios de transporte (rodovias, ferrovias, etc.), os quais se encontram obsoletos.

A Rede Urbana Brasileira
Embora marcada pela presença de um número considerável de grandes cidades e metrópoles, a rede urbana brasileira ainda está longe de alcançar o nível de articulação e de complexidade existente nas redes urbanas dos países desenvolvidos. Fatores como, por exemplo, a grande extensão territorial do país, as desigualdades regionais de desenvolvimento, a existência de amplos espaços pouco povoados e a fraca disseminação da industrialização pelo território nacional ajudam a explicar a baixa densidade urbana e o baixo nível de articulação da rede urbana brasileira. Para que exista rede urbana é necessário que algumas condições sejam satisfeitas. Por exemplo, a existência de relações ou conexões funcionais (circulação de bens de serviços, etc.) permanentes entre os centros que compõem a rede, e entre esses e o meio rural. No caso do Brasil, essas relação funcionais ainda são fracas e até mesmo inexistentes em algumas porções do vasto território nacional. Vista no conjunto, pode-se dizer que a rede urbana brasileira encontra-se em formação. A rede urbana brasileira, no estágio em que se encontra atualmente, pode ser assim caracterizada:
·    É pouco desenvolvida e apresenta fortes disparidades regionais (muito concentrada no Sudeste).
·    É pouco densa (número de cidades por área) e marcada por acentuadas descontinuidades espaciais (existência de vazios urbanos).
·    Apresenta fraca intensidade de relações entre os centros urbanos (comunicações, transportes, trocas comerciais, etc.).
·    Apresenta fraca organização hierárquica, ou seja, nem sempre são encontrados os diferentes níveis hierárquicos (metrópoles, centros regionais, centros locais, etc.).

As Redes Urbanas Regionais
Apenas em algumas porções do país é possível encontrar redes urbanas bem estruturadas ou articuladas e com nível de complexidade semelhante ao encontrado nas redes urbanas dos países desenvolvidos. É o caso, pôr exemplo, da Região Sudeste e, particularmente, do Estado de São Paulo. A Região Sudeste, a mais industrializada do país, é a que possui a mais desenvolvia e complexa rede urbana brasileira. Em seus 924.000 km2 de área, encontram-se as duas metrópoles nacionais (São Paulo e Rio de Janeiro), uma importante metrópole regional (Belo Horizonte), quatro centros submetropolitanos (Campinas, Ribeirão Preto, Juiz de Fora e Vitória), várias capitais regionais (São José dos Campos, Sorocaba, Santos, Volta Redonda, Campos, Uberlândia, Uberaba, etc.), dezenas de centros regionais (Avaré, Botucatu, Varginha, etc.), e assim por diante. Dentro da Região Sudeste, a principal rede urbana é a do Estado de São Paulo.
Em situação oposta a essas redes urbanas, encontram-se as redes urbanas da Região Norte e do Estado do Pará: são muito fracas, desarticuladas, apresentam baixíssima densidade urbana e estrutura hierárquica pobre e incompleta. Em uma área que é quatro vezes maior que a da Região Sudeste, existem duas metrópoles (Belém e Manaus, esta última incompleta), separadas entre si por quase 1.500 km, e apenas quatro capitais regionais. Imensos espaços desurbanizados (vazios urbanos) são encontrados na Região Norte. Situação semelhante a essa ocorre com a rede urbana do Estado do Pará. Belém, a principal metrópole regional, comanda uma imensa área com alguns poucos centros urbanos de expressão. A rede urbana da Região Norte é do tipo dendrítica, ou seja, os centros urbanos se localizam, principalmente, ao longo do Rio Amazonas e de seus afluentes.
A rede urbana da Região Sul é a segunda mais bem organizada do país. Apresenta grande quantidade de centros urbanos, boa densidade urbana e estrutura hierárquica completa. Em uma área de apenas 575.000 km2, existem duas metrópoles regionais (Porto Alegre e Curitiba), um centro submetropolitano (Londrina) e um grande número de centros urbanos pertencentes às demais categorias hierárquicas.
A rede urbana do Nordeste é menos densa e menos complexa que as redes urbanas das regiões Sudeste e Sul. Existem três metrópoles regionais (Recife, Salvador e Fortaleza),  relativamente bem distanciadas entre si, e um numero modesto de cidades de porte grande e médio. A maior concentração urbana ocorre na fachada litorânea (Zona da Mata) e no Agreste. Campina Grande (PB), Caruaru e Garanhuns (PE), Feira de Santana e Vitória da Conquista (BA) são as principais cidades do Agreste. No Sertão Nordestino ocorre pequena densidade urbana e poucos centros expressivos. Os principais são: Teresina (PI), Crato, Juazeiro do Norte e Iguatu (CE), Patos (PB), Arcoverde e Petrolina (PE) e Juazeiro (BA).

A Interiorização Urbana e Demográfica
Os padrões de urbanização, com os processos de metropolização e interiorização urbana e demográfica, concentração e desconcentração econômica, estão diretamente ligados ao ritmo e alcance do processo de modernização do país. Nas últimas décadas, conforme a economia e o mercado se integravam, a modernização generalizou-se, incorporando novas áreas urbanas e agrícolas. Hoje, podemos dizer que quase todo o Brasil se modernizou e que a maioria da população brasileira está integrada aos sistemas de produção, consumo e informação. A grande produção industrial, o variado comércio e os serviços bancários já alcançam populações que vivem em lugares longínquos, sempre com o apoio das empresas de publicidade que difundem os padrões de consumo.
No entanto, como a modernização não ocorre de maneira uniforme, pois é seletiva e excludente, ela revela dupla face. De um lado, propicia desenvolvimento e riqueza aos segmentos territoriais, econômicos e sociais por ela incorporados, cujos beneficiários ingressam nos ativos circuitos de produção e consumo e passam a desfrutar de um crescente conforto material. Por outro lado, a modernização tem aprofundado os contrastes existentes no país, aumentando as diferenças entre ricos e pobres, seja regiões ou lugares, seja segmentos sociais ou pessoas.

A Especialização Urbana
Como já vimos, no processo de desconcentração das atividades econômicas, as cidades especializaram-se em determinados ramos ou setores que propiciavam maior produtividade com menor custo.
As grandes cidades especializaram-se na administração das atividades econômicas e na produção de inovações de todos os tipos (administrativas, tecnológicas, de consumo e comportamentais), enquanto as outras cidades especializaram-se na produção para o mercado. Assim, por exemplo, a indústria estratégica (aeronáutica e bélica) desenvolveu-se em São José dos Campos; a indústria mecânica, em diversas cidades do interior paulista, como Piracicaba e São José do Rio Preto; a indústria petroquímica, em Camaçari, no Recôncavo Baiano; a indústria calçadista, em Franca, São Paulo, e sobretudo nas cidades do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul.

Brasil, um País Urbano
A expansão de novas formas capitalistas de produção atingiram tanto as áreas urbanas quanto as áreas rurais, que foram se integrando gradativamente aos principais circuitos da produção econômica.
Conforme desenvolvia-se no campo uma produção comercial voltada para as necessidades da cidade, como alimentos, matérias-primas e excedentes exportáveis, difundia-se também o trabalho assalariado e expandia-se o mercado consumidor.
A produção rural incorporou as inovações tecnológicas produzidas na cidade, como os avanços da biotecnologia e os telefones celulares; trabalhadores rurais passaram a viver em cidades, como acontece com os chamados bóias-frias; moradores do campo trabalham em atividades não-agrícolas, que se desenvolvem na zona rural, como o turismo e a prestação de serviços; a população que se dedica às atividades do setor primário assimilou os padrões de consumo urbanos e também se transformou em compradora de produtos industrializados. A própria cultura popular típica das zonas rurais converteu-se em objeto de consumo, difundido pelos principais agentes da indústria cultural sediada na cidade, Um exemplo é a música sertaneja pasteurizada, que se tornou campeã de venda em todo o país.
O Brasil rural tradicional está desaparecendo e sobrevive apenas nas áreas mais pobres, que apresentam uma economia desequilibrada, em que a população não tem renda suficiente para integrar-se às novas formas de consumo e não há capital suficiente para impulsionar a modernização da produção.

A Integração Urbano-Agrícola
Para avaliar esse novo país com fidelidade, pode-se partir da concepção de Brasil urbano e de Brasil agrícola. O Brasil urbano desenvolve-se sob o comando das atividades terciárias (comércio, prestação de serviços) e secundárias (indústria de transformação), e sua população vive em cidades. Apesar de funcionar segundo os interesses das atividades tipicamente urbanas, esse Brasil também é marcado pela importante presença de atividades econômicas tradicionais, como o artesanato. Contém, ainda, elementos tipicamente agrícolas, como os cinturões verdes e as novas hortas urbanas, que abastecem as populações das grandes regiões metropolitanas e produzem alimentos para outros núcleos urbanos. Grande parte das verduras consumidas em Belém do Pará, por exemplo, é produzida no cinturão verde de São Paulo. O Brasil agrícola apresenta uma vida econômica comandada pelos interesses das atividades do setor primário, mas integra-se plenamente às principais formas de produção urbanas e apresenta elementos marcadamente urbanos. O setor primário brasileiro absorveu, nas últimas décadas, todos os tipos de modernização que possibilitaram a expansão da produção agrícola e pecuária. A produtividade aumentou e o setor integrou-se aos principais mercados consumidores nacionais e internacionais. Essa modernização, como vimos, foi produzida nas cidades, onde se concentram a pesquisa científica e a atividade industrial, que deram suporte à mecanização da agricultura e à incorporação dos principais avanços da indústria química e da biotecnologia.
Brasil urbano e Brasil agrícola são, em resumo, elementos de uma única realidade, que se constituiu a partir da aceleração do processo industrial e é comandada pelos interesses das atividades urbanas, visando a plena integração da economia brasileira ao mercado mundial globalizado.

A Hierarquia Urbana Brasileira

O conceito de hierarquia urbana está baseado na noção de rede urbana, um conjunto integrado de cidades que estabelecem relações econômicas, sociais e políticas entre si. Em tais relações, algumas cidades predominam e exercem influência sobre outras, produzindo um sistema de relações hierarquizadas no interior de cada rede urbana.
O mapa a seguir, referente à população urbana das macrorregiões brasileiras, indica que a população urbana já predomina em todas as regiões do país. Nos estados em que a modernização econômica é mais expressiva, a população rural corresponde a uma minoria em relação ao total. O Censo de 2000 revela que o Nordeste, apesar de possuir a maior percentagem de população rural (31%), teve um significativo aumento de sua população urbana no período 1991-2000 - 10%. O Centro-Oeste, com uma população rural menor (13,3%), foi a região que apresentou o maior aumento percentual da população urbana 12%. Confirmando o processo de desconcentração, o crescimento do Sudeste foi praticamente nulo e, no Sul, o índice ficou em pouco mais de 2%.


As mudanças aceleradas no padrão de urbanização produziram pelo menos duas diferentes avaliações da hierarquia urbana brasileira: uma tradicional e uma recente. A avaliação tradicional está baseada no denominado modelo industrial, que dá prioridade à relação estabelecida entre as diferentes cidades a partir dos fluxos de mercadorias e de serviços, a avaliação recente apóia-se no chamado modelo informacional, concentrando-se na relação entre as diferentes cidades a partir dos fluxos administrativos e de informações.


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