quinta-feira, 3 de novembro de 2016

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

ATUALIDADE OPÇÃO ENEM 2016



























BREXIT


Veja 13 perguntas e respostas sobre a possível saída do Reino Unido da EU Britânicos devem decidir se ficam no bloco em referendo no dia 23. Saída teria consequências políticas e econômicas para a região. Karina Trevizan

REFERENDO NO REINO UNIDO

'Perigos' da Brexit

No próximo dia 23, os britânicos devem ir às urnas em um referendo para dizer se querem ou não permanecer na União Europeia. Motivo de divergência entre lideranças políticas na região, a questão também tem dividido a população, como mostram pesquisas de intenção de votos antes do referendo. De um lado estão os pró-saída, que acham que o Reino Unido perde soberania estando submetido às regras do bloco econômico, com poucas compensações. De outro, os que acreditam que a aliança com os países vizinhos torna a região mais poderosa.


1. O que é a União Europeia?

É uma união econômica e política formada por 28 países europeus, criada logo após a 2ª Guerra Mundial. O bloco funciona como um mercado único, com livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais. Dentre esses países, 19 compartilham a moeda única – o euro. O Reino Unido não é um deles.
Países que formam o Reino Unido
Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte, País de Gales

 2. O que é o termo 'Brexit’?

É o como passou a ser chamada a possibilidade de o Reino Unido deixar a União Europeia. A palavra é formada pela união de “Grã-Bretanha” (ilha onde ficam Inglaterra, Escócia e País de Gales) e “exit”, que significa saída em inglês. O termo se assemelha a “Grexit”, que começou a ser usado no ano passado durante impasse sobre da dívida da Grécia, que gerou dúvidas sobre a permanência do país no bloco.

3. Quem pode sair da União Europeia é o Reino Unido ou apenas a Grã-Bretanha?

O Reino Unido. Apesar da popularidade do termo “Brexit”, a possibilidade de saída do bloco envolve não apenas a Grã-Bretanha, mas todo o Reino Unido (que inclui os países da Grã-Bretanha e também a Irlanda do Norte).

4. Quando o Reino Unido começou a fazer parte da União Europeia?

Em janeiro de 1973. A região, porém, não faz parte da zona do euro, e continua usando a libra esterlina como moeda oficial.

5. Esta é a primeira vez que o Reino Unido ameaça deixar o bloco?

Não. Em 1975, houve um referendo muito parecido com o de agora para que a população escolhesse entre sair ou continuar na União Europeia. Venceu a permanência no bloco, com 67% dos votos.

6. Como é a participação do Reino Unido no bloco?

O Reino Unido tem 73 lugares no Parlamento Europeu. Exerceu a presidência do conselho da UE cinco vezes entre 1977 e 2005. A próxima, se o país permanecer no bloco, será em 2017. Assim como os outros países do bloco, o Reino Unido também faz contribuições financeiras à União Europeia. A quantia total arrecadada entre todos os países-membros é repartida de forma equitativa.

7. Um dos argumentos dos britânicos que são a favor da saída do bloco é de que o Reino Unido mais contribui com a UE do que recebe recursos. Isso é verdade?

Sim. Os fundos pagos pelo Reino Unido para o orçamento europeu contribuem para financiar programas e projetos em todos os países da UE. O Reino Unido também tem projetos financiados por fundos estruturais e de investimento do bloco.
No entanto, a soma da contribuição britânica com a UE é maior do que os gastos do bloco com o Reino Unido. Segundo dados da própria União Europeia, em 2014 o Reino Unido contribuiu com € 11,3 bilhões à UE, o que corresponde a 0,52% de seu rendimento nacional bruto. Em contrapartida, as despesas do bloco com o país foram de € 6,9 bilhões, ou 0,32% do rendimento bruto.

A saída do Reino Unido teria o efeito de uma verdadeira caixa de Pandora para Europa. Pode haver um problema grave com relação ao ressurgimento desses nacionalismos"
Marcus Vinicius de Freitas, professor da FAAP
O professor Otto Nogami, do MBA do Insper, aponta os prejuízos internos sofridos pelo Reino Unido graças a esse “desequilíbrio monetário”, com mais saída que entrada de dinheiro no país. “Isso acaba criando uma pressão inflacionária maior, domesticamente falando”, diz.

8. Como a saída afetaria a organização da economia britânica?

Não é possível dizer com certeza como ficaria a economia britânica fora da União Europeia, embora o ministro das Finanças britânico, George Osborne, afirme que a saída do bloco implicaria em uma perda de confiança nas finanças públicas caso não seja aprovado um orçamento emergencial em seguida. "
Haverá um grande buraco nas finanças públicas, e teríamos que aumentar impostos e cortar gastos", disse Osborne a jornalistas no dia 15 de junho. "A única coisa pior que não aprovar um orçamento como este é lidar com a queda livre econômica ou a perda completa de confiança na habilidade do país de administrar seu dinheiro."
O professor do curso de Relações Internacionais da FAAP Marcus Vinicius de Freitas lembra, no entanto, que o desejo de reorganização da economia pode ser justamente o fator que motiva muitos britânicos a votarem pela saída do bloco. “Existem regras da União Europeia com relação ao sistema financeiro, bancário, administração das finanças públicas. O que os britânicos questionam é que o projeto da UE não é o que eles ambicionam, ” diz o especialista.

9. Como uma eventual saída afetaria as relações comerciais do Reino Unido com países da União Europeia?

A participação na União Europeia permite que os países comprem e vendam produtos e serviços entre si sem a aplicação de taxas e impostos dentro da área comum.  O Reino Unido então passaria a ter taxas diferentes no comércio exterior com os países europeus em relação às praticadas agora, podendo inclusive trocar de parceiros.
“Na UE, o que se formou foi uma união aduaneira, além de ser uma área de livre comércio e também de união tarifária em termos de comércio internacional. Isso fez com que a Inglaterra, que era importadora de carne da Austrália, por exemplo, fosse obrigada a renunciar e passar a importar do continente. Isso são os acordos comerciais, se permite o livre comércio entre os integrantes em detrimento de outros países”, explica Nogami.
O Brasil se beneficiaria eventualmente, porque poderia exportar para os britânicos produtos que sofrem algum impedimento na entrada na União Europeia"

Otto Nogami, professor do Insper

“Nesse sentido, com a saída, a Inglaterra pode ter condições comerciais melhores que com seus parceiros do continente europeu. Já para a União Europeia, acaba representando ônus”, diz o professor.

10. Como ficariam as relações comerciais com outros países, incluindo o Brasil?

As negociações com países fora do bloco se tornariam mais livres, como pontua Marcus Vinicius de Freitas. “O projeto europeu não está favorecendo os britânicos em suas relações com outros países. Com uma eventual saída, eles devem adotar uma postura mais livres nas negociações com outros países, como o Brasil.”
“O Brasil se beneficiaria eventualmente, porque agora poderia exportar para os britânicos produtos primários que sofrem algum tipo de impedimento na entrada na União Europeia. A negociação passa a ser bilateral simples, com um único país”, complementa Otto Nogami.
Segundo a União Europeia, o Reino Unido exporta principalmente para os EUA, a Alemanha e os Países Baixos. Por sua vez, as suas importações vêm sobretudo da Alemanha, da China e dos EUA.

11. Como a “Brexit” pode afetar o acordo entre União Europeia e Mercosul?

Freitas considera que um impasse com a saída de um membro importante do bloco retardaria ainda mais as negociações de um acordo de comércio entre União Europeia e Mercosul. “A questão entra num compasso de espera ainda maior. Entre negociar um novo acordo e resolver um problema interno, claro que a prioridade da Europa passa a ser negociar o ‘Brexit’ neste momento.” Já Nogami afirma que as dificuldades devem seguir inalteradas. “A pendência continua da mesma maneira, porque o grande entrave nessa relação comercial é a França.”

12. Quais seriam as consequências políticas da “Brexit” para a União Europeia?

“A saída do Reino Unido teria o efeito de uma verdadeira caixa de Pandora para Europa 
por algumas razões. Em primeiro lugar você tem a preocupação com relação àqueles países que a gente chama de ‘nações sem Estados’, como a Escócia, que pode e querer fazer parte ainda da UE e querer se separar do Reino Unido”, diz Marcus Vinicius de Freitas. "Pode haver um problema grave com relação ao ressurgimento desses nacionalismos." O professor aponta ainda que a saída seria um “retrocesso no projeto de integração da União Europeia”. Fonte: União Europeia
“A Escócia há séculos briga pela sua independência. Temos também o caso da Irlanda, que utiliza o euro e não sabemos como vai se posicionar. Fica uma situação um tanto quanto delicada”, complementa Nogami.

13. Quais seriam as consequências econômicas para o bloco?

O professor Otto Nogami afirma que uma eventual saída do Reino Unido do bloco significa a extinção de uma das bases do tripé no qual está apoiada a União Europeia.
“Toda a estrutura da UE está baseada na Alemanha, França e Reino Unido. Na medida em que se tira um deles, a estrutura fica capenga. São as três economias mais fortes e representativas, e tirar uma delas pode desestabilizar a economia da União Europeia. Todo o peso acaba recaindo sobre a Alemanha, porque hoje a França está totalmente desestabilizada. O que não se sabe é até que ponto a Alemanha teria condições de carregar todo o continente nas costas, economicamente falando."


Fonte:http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/06/veja-13-perguntas-e-respostas-sobre-possivel-saida-do-reino-unido-da-ue.html







quarta-feira, 26 de outubro de 2016

DITADURA MILITAR 1964 - 1985

REGIME MILITAR OU  DITADURA

Crise política: a saída de Jânio Quadros (1961) somada aos posicionamentos do governo Jango.
Setores conservadores, aliados dos militares, deram início à campanha de desestabilização do governo.
As “Reformas de Base” foram duramente combatidas pela elite.
Em 31 de março de 1964, o golpe militar derrubou Jango.
A partir do golpe, os militares passaram a desmobilizar quaisquer focos de luta popular.
As organizações trabalhistas, como a CGT; as organizações estudantis (UNE); as Ligas Camponesas e os movimentos de base da Igreja Católica (JOC) passaram a ser duramente perseguidos e reprimidos.


Esquerda
CGT (Central Geral dos Trabalhadores), de inspiração comunista.
UNE (União Nacional dos Estudantes).
CPC’s (Centros Populares de Cultura)
Ligas Camponesas.
Direita
IPES (Instituto Nacional de Pesquisa e Estudos Sociais) e IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática) – centros de combate ao comunismo, com o apoio da CIA.
MAC (Movimento Anti-comunista) e Frente da Juventude Democrática.


Logo após o golpe, ficou claro que os militares se estabeleceriam no poder.
Embora o movimento tivesse contado com o apoio de civis – UDN, os militares não pretendiam entregar o poder.
Em abril de 1964 foi editado o ATO INSTITUCIONAL nº 1.
Ato institucional: Conjunto de leis promulgado sem a necessidade de aprovação popular ou pelo Congresso Nacional – Mecanismo ditatorial de controle do poder de Estado.
Os militares optaram pelo alinhamento ao bloco ocidental (EUA) – Os norte americanos prontamente reconheceram o governo militar logo após o golpe.
O AI-1
Nomeação do Gen. Humberto de Allencar Castello Branco para a Presidência.
As constituições estaduais e a federal seriam mantidas.
A eleição do presidente e vice passaria a ser efetuada pelo Congresso Nacional.
O presidente passava a ter amplos poderes para remeter ao Congresso “sugestões” para a reforma da Constituição de 1946.
As investigações contra crimes contra o Estado ou a Ordem Pública, política e social, poderiam ser instauradas contra indivíduos ou coletivamente.
Os Comandantes-em-Chefe das Forças Armadas, que assinavam o AI-1, poderiam caçar direitos políticos pelo prazo de 10 anos e anular mandatos legislativos.

CASTELO BRANCO 1964 – 1967

O General Castelo Branco era líder do “GRUPO DA SORBONNE”, ligado à Escola Superior de Guerra (ESG).
Ao assumir a presidência, afirmava que seu objetivo era implantar uma “democracia restringida” – para ele, isso significava atuar na reformulação política e econômica do Estado, com o propósito de “combater o comunismo e promover a consolidação da democracia”.
Foi o idealizador de mecanismos da repressão, como o SNI (Serviço Nacional de Informações).
Castelo Branco promoveu prisões arbitrárias e iniciou perseguições políticas e torturas aos opositores do regime, embora ainda estivesse em vigor o Habeas Corpus.
Lideranças sindicais e camponesas foram mortas ou desapareceram; governadores eleitos perderam seus mandatos. Entre os primeiros cassados pelo governo constavam: João Goulart, Jânio Quadros, Miguel Arraes, Leonel Brizola, Luis Carlos Prestes, Celso Furtado, Darcy Ribeiro, etc.
Em 1966, a oposição saiu vitoriosa nas eleições estaduais em Minas e Rio de Janeiro.
O governo reagiu, editando o AI-2.
O AI-2 colocava fim em todos os partidos políticos existentes e autorizava a formação de apenas duas legendas: a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro).
A reação popular contra a arbitrariedade foi imediata. Nas ruas, renasceu o movimento estudantil. Movimentos e passeatas tomaram conta dos centros urbanos. O governo respondeu com violência e truculência.
A Arena (Aliança Renovadora Nacional) era o partido do governo. Estavam ali todos os políticos de direita que apoiavam descaradamente a ditadura. De onde vinham? Basicamente, da UDN.
Mas também um bando de gente do PSD, do PSP de Adhemar de Barros e, por incrível que pareça, muitos da velha guarda integralista. Apoiavam o regime militar em tudo que ele fazia.
O MDB (Movimento Democrático Brasileiro) era o partido da oposição consentida. A ditadura, querendo uma imagem de democrática, permitia a existência de um partido levemente contrário. Contanto que ninguém fizesse uma oposição muito forte.
O MDB era formado pelos que sobraram das cassações, um pessoal do PTB, alguns do PSD. No começo, a oposição era muito tímida. Nos anos 70, porém o MDB conseguia votações cada vez maiores para deputados e senadores. Então seus políticos - muitos eram novos valores surgidos na década - começaram a fazer uma oposição importante ao regime, capitaneados pela figura do deputado paulista Ulisses Guimarães (1916-1992) .
Naqueles tempos, brincando é que se diz a verdade, comentávamos que o MDB era o “Partido do Sim” e a ARENA era o “Partido do Sim Senhor!”
O governo procurava, no setor econômico, uma forma de conter a inflação que chegava aos 100% ao ano.
Assim, lança o PAEG – Plano de Ação Econômica do Governo:
Abertura para o capital exterior, consolidando uma fórmula tipicamente exportadora – altas na balança comercial.
Controle nas linhas de crédito para o setor privado.
Redução dos gastos públicos.
Contenção dos salários. Fim da estabilidade (10 anos) – Criação do FGTS.
FGTS faz “girar” os financiamentos no BNH.
Revogação da “Lei de remessa de Lucros”, editada em 1962 pelo governo João Goulart.

AI-3 E AI-4

A Constituição de 1946 sofreu reformas por meio dos Atos Institucionais 3 e 4.
O AI-3 estabeleceu eleições indiretas para governadores e prefeitos de cidades consideradas “de segurança nacional”.
O AI-4 convocava o Congresso, em sessão extraordinária, para a aprovação de uma nova carta constitucional.
A Constituição de 1967 aumentou o poder do executivo e limitou a autonomia dos Estados.
Foram publicadas as severas Lei de Imprensa e Lei de Segurança Nacional, destinadas a facilitar a atuação dos órgãos de segurança do Estado (aparelhos da repressão) contra os “inimigos internos”.
Em 1966, teve início o processo de sucessão presidencial.
A sucessão dependia da luta interna travada nos bastidores militares: de um lado estava a “linha dura” do regime; de outro, os militares mais moderados, conhecidos como “Sorbonne”.
Na disputa, prevaleceu a candidatura do Gen. Artur Costa e Silva, um dos líderes do golpe.
A indicação de Costa e Silva não significava diretamente  a vitória da linha dura, mas a mesma viria em função dos acontecimentos.
No mesmo ano, a oposição aos militares começou a se manifestar com mais força: ocorreram protestos estudantis em várias partes do país e foi anunciada a formação da Frente Ampla, movimento que reunia opositores das mais variadas correntes políticas.
Sem conseguir apoio popular e unidade política, a Frente Ampla acabou desaparecendo.

COSTA E SILVA (1967-1969)

A nova política econômica trouxe resultados positivos, uma vez que o PIB alcançou índices de crescimento da ordem de 10 e 11,2% - iniciava-se o “Milagre econômico brasileiro”.
Os primeiros tempos do governo Costa e Silva foram marcados por protestos estudantis.
As táticas do comício relâmpago e das passeatas entusiasmavam os estudantes.
Em 28 de março de 1968, realizou-se duas manifestações no Rio: o protesto contra a má qualidade e o preço elevado das refeições do “Restaurante Calabouço!”.
A polícia Militar chegou atirando e matou o estudante Edson Luis, um jovem de 16 anos.
O fato abalou a opinião pública.
O corpo foi velado na assembleia Legislativa, e ao enterro compareceram 50 mil pessoas.
No cemitério, os estudantes proferiram um juramento: “Neste luto, a luta começou”.


1968: O ANO QUE NÃO TERMINOU.

Após a morte de Edson Luis, as passeatas multiplicaram-se pelas capitais – “Neste luto, a luta começou.”
Greves em Contagem e Osasco.
A seqüência de manifestações reprimidas violentamente por todo o país acabou por despertar a indignação das classes médias no Rio de Janeiro.
A sociedade indignada promove a Passeata dos Cem Mil, em 21 de junho de 1968.
O governo decidiu então ampliar os mecanismos de repressão de modo a “acabar com os subversivos”.
Nos dias 02 e 03 de setembro de 1968, o jovem deputado Márcio Moreira Alves, do MDB da Guanabara, usou a Tribuna do Congresso para fazer um discurso inflamado contra a ditadura.
O Procurador Geral da República encaminhou o discurso aos quartéis.
Os oficiais, indignados, afirmavam que Moreira Alves havia praticado um “atentado contra a ordem democrática”.
O governo encaminha para o Congresso um pedido para processar Moreira Alves.
Entretanto, o Congresso rejeita o pedido por 216 votos a 14.
Temendo a reação do governo, Márcio Moreira Alves decidiu exilar-se.
A resposta do governo veio numa sexta-feira 13 de dezembro de 1968, publicando o AI-5.

O AI-5

O AI-5 foi o principal instrumento de arbítrio da ditadura militar.
O general-presidente poderia, sem dar satisfações a ninguém, fechar o Congresso Nacional, cassar mandatos de parlamentares, demitir juízes, suspender garantias do Poder Judiciário, legislar por decretos, decretar estado de sítio, enfim, ter poderes tão vastos como os dos tiranos.
O governo passa a ter o direito de suspender o habeas corpus
Tem gente que chega a falar do “golpe dentro do golpe”.
Costa e Silva acabou não tendo tempo de “saborear” os resultados do AI-5 – um derrame cerebral o tirou do poder.

A LUTA ARMADA

A falta de crédito na ação parlamentar e o endurecimento do regime faz com que os setores de esquerda se lancem em ações armadas.
O PCB – resistência no interior do MDB e dos sindicatos.
O PC do B – iniciou uma campanha de guerrilhas rurais, com escasso apoio camponês.
Entre 1968 e 1974, a ALN (Aliança Nacional Libertadora); a VAR (Vanguarda Armada Revolucionária), o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro) e a Ação Popular promovem a guerrilha urbana.
Em setembro de 1969, a ALN e o MR-8 sequestram o embaixador americano Charles Elbrick.
Em troca da libertação do embaixador, os militantes divulgam um manifesto revolucionário na imprensa e libertam 15 prisioneiros políticos, entre eles, Zé Dirceu.
Em represália, a Junta Militar cria mais dois AI’s: um dava direito à expulsão do país de todos que fossem considerados “subversivos”; o outro introduzia a pena de morte.

REPRESSÃO

Para o controle da “ordem social”, o governo Costa e Silva melhora a eficiência dos mecanismos de repressão.
OBAN (Operação Bandeirante)
DOPS – DEOPS (Departamento de Ordem Pública e Social)
DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna).
Em fins de 1969, Costa e Silva, doente,  se afasta. Em seu lugar seguiria uma junta militar e, em seguida, o governo Médici e o endurecimento do regime.

GOVERNO MÉDICI (1969-1974): A MÁQUINA DA REPRESSÃO

Repressão e silenciamento dos principais líderes da luta armada: Carlos Mariguella (1969) e Carlos Lamarca (1971).
O único movimento sobrevivente foi a Guerrilha do Araguaia, derrotada em 1975.
Com a grande imprensa silenciada, as notícias sobre as torturas e o regime passam a ser veiculadas somente na clandestinidade.
Muitos documentos sobre a prática da tortura só existem em função da ação da Teologia da Libertação, de orientação marxista-cristã.
Como forma de encobrir o clima de terror, o governo propaga a propaganda ufanista.

GOVERNO MEDICI 1969- 1974

O governo aposta no aparato ideológico do crescimento da nação:
“Você constrói o Brasil”
“Ninguém segura este país”
“Brasil, conte comigo”
“Brasil, ame-o ou deixe-o”
O auge da campanha publicitária foi atingido na Copa de 1970: “Pra frente Brasil”.
As torturas e a repressão são sufocadas pela euforia da idéia produtivista do “Milagre Econômico’.
O PIB atingiu índices na ordem de 10% e 11,2%.
O Brasil passa a ser conhecido pelas grandes obras públicas (faraônicas).
Entre 1967 e 1972, a dívida externa atingiu  a casa dos US$ 10 bi.
O governo criou o INCRA (inst. Nac. Colonização e Ref. Agrária); o PIS (Plano de Integração Nacional) e o MOBRAL (Mov. Brasileiro de Alfabetização).
O milagre econômico sustentou-se em três pilares: o arrocho salarial, os empréstimos externos e a repressão política.
Houve a incrementação de mercado da classe média e no setor agrícola.

ERNESTO GEISEL (1974-1979)

Chefe do Gabinete Militar de Castello Branco, Presidente da Petrobrás em Costa e Silva, e presidente do Superior Tribunal Militar em Médici, Geisel foi eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral.
Para disputar simbolicamente o pleito, o MDB lançou Ulisses Guimarães e Barbosa Lima Sobrinho.
Início do processo de abertura política: “Lento, gradual e seguro”.
A necessidade de mudanças ficou evidenciada nas eleições parlamentares de 1974, quando o MDB praticamente dobrou a sua representação: de 87 DF pulou para 165, enquanto a ARENA reduziu de 223 para 199. No Senado, o MDB pulou de 7 para 20 Sen., enquanto a ARENA diminuía de 59 para 46.
Pacote de Abril (1977):
o presidente fecha o Congresso e passa a governar por decretos.
Eleição indireta para os governadores de estado.
Lei falcão (1976).
Aumento do mandato presidencial (de 5 para 6 anos).
As decisões no Congresso passaram a depender apenas de maioria simples.
Um terço das cadeiras do Senado passaram a ser concedidas aos “Senadores Biônicos”.
Acordo militar Brasil-Alemanha: usinas nucleares de Angra dos Reis.
Projeto Pró-álcool: a substituição da gasolina pelo álcool combustível.
Dentro dos ideais da DSN, os militares lançam os PND’s:
PNDI: Governo Médici – Delfim Netto
PNDII: Goverbno Geisel – Mário Henrique Simonsen: alimentar créditos à empresas privadas e fortalecer setores estatais.
Diversas entidades promovem debates de cunho social: OAB, CNBB, ASBPC, CEB’s, UNE, ABIM, etc.
Na classe operária, surgem manifestações sob a liderança de trabalhadores como LULA.

GOVERNO FIGUEIREDO (1979-1985)

Continuidade ao processo de abertura política.
A ANISTIA veio em 1979, mas não beneficiou os condenados por seqüestros e atentados políticos.
A reforma política implementada pelo Estado permitiu a volta do pluripartidarismo.
ARENA se transformou em PDS (Part. Dem. Social); MDB se tornou PMDB (Part. Do Mov. Democrático Brasileiro). Surgiram o PDT, o PT, o PP e o PTB.
A direita, ligada ao aparelho da repressão, não aceitava a abertura – terrorismo: atentado do Riocentro, em 1981.
A oposição lança o movimento DIRETAS JÁ

REDEMOCRATIZAÇÃO

Ementa Dante de Oliveira – derrotada no Congresso.
Transição democrática: Paulo Maluf (PDS) X Tancredo Neves (PMDB)
15 de janeiro de 1985: Tancredo e Sarney são eleitos depois de 21 anos de governos militares.
Na data da posse, 15 de março, Tancredo é internado – Sarney assume.
21 de abril: morre Tancredo.
Começava a conturbada NOVA REPÚBLICA.